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A SP ideal das crianças: verde, divertida e sem problemas

O ‘Estado’ convidou dez crianças para descobrir a cidade de seus sonhos. Elas cobram melhorias

Edison Veiga e Paulo Saldana, O Estado de S. Paulo

09 Outubro 2010 | 22h52

Bernardo quer mais espaço para andar de bicicleta. Amanda tem medo da rua atrás da sua casa: "Minha mãe diz que tem gente que já foi assaltada lá." Gil se preocupa quando as autoridades só pensam em investir em metrô - receia que toda a vida se torne subterrânea. Gabriel já vai para a escola sozinho. Beatriz sonha com uma cidade com postos policiais em todas as ruas. Matheus deseja uma cidade sem drogas nem violência. Gabriela gostaria que houvesse um jeito rápido de diminuir a poluição. Jonas acha que São Paulo é muito quente. Taís acredita que a receita para acabar com a criminalidade é fazer mais escolas nas favelas - "Mas crime não tem só na favela", interrompe Jonas. Flora tem um plano para acabar com congestionamentos: um helicóptero capaz de pegar os carros engarrafados e levar para o destino na hora certa.

 

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Para celebrar o Dia da Criança de maneira diferente, o Estado convidou dez crianças de 10 a 12 anos - de dez colégios da capital paulista, abrangendo as cinco regiões da cidade - para falar sobre São Paulo, seus problemas e seu futuro ideal.

 

 

 

Como pequenos repórteres, elas também elaboraram perguntas para as autoridades. E o meio ambiente parece ser a maior preocupação dos "entrevistadores-mirins". "Precisamos de mais árvores. E com maior variedade", pede Gil. "Por que tem tão pouco pau-brasil em São Paulo?", incomoda-se Matheus. "É preciso uma figueira centenária, de 120 anos", clama Bernardo.

 

Nove delas elegeram o passeio em um dos parques como o melhor programa de fim de semana. "Gosto de andar de bicicleta e fazer piquenique", conta Beatriz. "Brinco de labirinto entre as plantas", comenta Jonas. "Gosto de ir aos parques. Mas acho que deviam ser instalados ambulatórios neles. Uma vez meu irmão se machucou no Villa-Lobos..."

 

Elas também contaram como é sofrer as agruras do trânsito paulistano - na visão do passageiro do banco de trás. "Fico 1h30 dentro da perua para chegar à escola", reclama Amanda. "Eu gostaria de poder ir para a escola a pé, em vez de ter de ficar meia hora todo dia na perua", completa Taís. "Quando estou preso no trânsito, fico inventando joguinhos para passar o tempo. Tipo brincar de formar palavras com as letras das placas dos carros", diz Gil. E logo, num pequeno alvoroço, todos os outros se lembram de brincadeiras parecidas.

 

Cidade ideal. "Sem trânsito. E com as crianças podendo brincar na rua. Os quintais não seriam divididos: tudo de todo mundo", sonha Amanda. "Um Rio Tietê limpo", prioriza Flora. "Tínhamos de ter uma estufa gigante dentro de São Paulo, onde a comida seria plantada", planeja Gabriela. "Minha cidade ideal teria um observatório para as pessoas se deitarem à noite para ver o céu", quer Gil. "E, claro, precisamos de um lei que obrigue todos a apagar a luz nessa hora."

 

Na reunião de pauta, elas apontam os lados bom e ruim da capital

 

O primeiro encontro com os repórteres mirins ocorreu no dia 14, na sala de reunião de pauta do ‘Estado’. Durante toda a tarde, eles expressaram suas opiniões sobre a capital, contaram o que mais gostam e o que não gostam na cidade. Com base nos temas de maior interesse, fizeram perguntas às autoridades, que foram repassadas pela reportagem.

 

Três semanas depois, novo encontro na redação para ver as respostas. "Parece que antes de serem eleitos nada acontecia e agora eles resolvem tudo", dispara Bernardo. Apesar dos questionamentos, as entrevistas foram aprovadas pela turma.

 

No fim, hora de imaginar. Para traçar a São Paulo ideal, a equipe fez desenhos e depois contou com a ajuda do ilustrador Marcos Müller. A imagem da página é resultado das sugestões, dos planos e sonhos da equipe.

 

 

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