A SP que virou escola para alunos de todo o mundo

Asiáticos, africanos e americanos invadem a capital para estudar arquitetura, design, saúde e até astronomia

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2009 | 00h00

O coreano Joonhyun Kin veio à capital para pesquisar o acesso à arte nas comunidades carentes e seu vizinho sul-coreano Dae-Hee Kim, ações de sustentabilidade. À chinesa Lily Hui Huang interessa o processo de construção de assentamentos informais, enquanto a chilena Daniela Alejandra Larrondo Villa está de olho no design dos irmãos Campana. Já o colombiano Gustavo Herrera estuda o Universo no céu de São Paulo.Estudantes e pesquisadores estrangeiros estão transformando a cidade em laboratório. "Os brasileiros sempre acreditaram que o importado é melhor, mas esse complexo está se invertendo", diz o diretor da Universidade Harvard no Brasil, Jason Dyett, que abriu escritório em São Paulo para promover o intercâmbio entre alunos da instituição americana e do Brasil. "O mundo se globalizou e mesmo os EUA têm questionado o seu papel e o que têm a aprender com outras nações." Atualmente, pelo menos quatro alunos de Harvard estão em São Paulo para pesquisar assuntos como saúde pública, negócios e arquitetura. Outros 13 estudantes da Escola de Design - como Joonhyu, Dae e Lily - deixaram a capital na sexta-feira após uma semana de visitas às obras de urbanização de favelas e aulas-laboratório na comunidade Cantinho do Céu, zona sul, objeto de suas dissertações de mestrado. "Aqui há iniciativas exemplares com as quais os estrangeiros têm muito a aprender", acredita Jason.Ao lado de Harvard, a Universidade Columbia, de Nova York, criou um intercâmbio com a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) para pesquisa em assentamentos precários da cidade. Mas não somente a pobreza atrai o interesse dos estrangeiros. Aluna da Universidad Diego Portales, em Santiago, Chile, Daniela transferiu por seis meses os estudos para a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), onde tem aulas de Desenho Industrial. "São Paulo abriga alguns dos maiores designers do mundo, como os irmãos Campana. Foi depois de conhecer seu trabalho numa exposição no Chile que decidi vir", diz. A Faap transformou o Edifício Lutétia, no centro, em residência, onde já recebeu 54 artistas estrangeiros.PLASMAS ASTROFÍSICOS Poucos paulistanos sabem que existe um centro onde se pode estudar plasmas astrofísicos, tema que trouxe o colombiano Gustavo Herrera para o doutorado no Instituto de Astronomia e Geofísica (IAG) da Universidade de São Paulo (USP). Ele tentou explicar o que são plasmas astrofísicos. Sem sucesso (por culpa da repórter, diga-se), simplificou: "O que me trouxe a São Paulo foi o fato de o instituto ser altamente reconhecido e sem igual na América Latina em termos de infraestrutura, tecnologia, computadores e recursos para pesquisa." O IAG tem ainda três alunos chilenos, um equatoriano e um uruguaio. O coordenador da pós-graduação em Educação da USP, Romualdo Portela, explica que os estrangeiros não ocupam vagas de brasileiros, já que vêm por meio de intercâmbios com instituições que recebem alunos daqui em troca, além de outras formas de reciprocidade. "Hoje, o debate científico é internacional, a informação tem de circular e é isso o que nos permite dar um salto na pesquisa", diz. "O que o Brasil precisa é fortalecer os intercâmbios."

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