A verdade sobre o PT e os transgênicos!

Segunda de manhã, você abre o Outlook e há 42 e-mails, prestes a entrar. Quanta expectativa naqueles poucos segundos! Serão amigos do passado, que resolveram dar um alô? Aquela resposta da editora, que você espera há meses? Recados apaixonados do seu amor, que viajou a trabalho? Ou a herança milionária, de um tio-avô desconhecido?Então, como se o céu fechasse em fast forward, uma nuvem de mensagens em negrito toma sua tela, todas com o mesmo subject: "A verdade sobre o PT e os transgênicos!". Desiludido, você percebe que, mais uma vez, foi incluído num grupo de discussão.O texto, mandado por um tal "Rubão" - você não se lembra de jamais ter conhecido um Rubão -, traz provas incontestes de que o PT é financiado pela Monsanto e o governo Lula nada mais é do que um complô mundial para plantar soja na Amazônia. Em resposta, "Luluteca" diz que Rubão deveria tomar mais cuidado com suas fontes, pois a ONG que divulgou o texto da soja está sendo investigada pela PF por receber dinheiro das Farc, segundo alertou o pensador Olavo de Azevedo, em seu blog. "Macamargo", a seguir, entra na briga: "Gente!!! O Olavo de Azevedo?! Todo mundo sabe que ele é da Opus Dei, da TFP e criador da lei que pretende transformar o top less em crime hediondo!" Quando você vai ver, a manhã já acabou. Decide apagar aquilo tudo, ir comer e à tarde, quem sabe, trabalhar.Impossível. Na volta do almoço, a briga migrou para MST e Bolsa Família. Lá pelas duas e meia, o clima fica pesado. É "ignorante" pra cá, "fascistoide" pra lá, "stalinista" a torto e a direito. A turma do deixa-disso entra em cena. "Marola" lembra a todos que eles estão ali para debater ideias, com respeito ao pluralismo, e não é porque uns são a favor da cadeira elétrica para menores reincidentes e outros defendem o sequestro de celebridades que não podem tomar um chope, na quinta. Entusiasmo generalizado. Entre três e quatro horas, são trocadas 26 mensagens com sugestões de bares. A facção que apoia a Vila Olímpia, contudo, entra em confronto com os frequentadores da Vila Madalena. É quando "ju.pimentel" se lança "contra tudo isso que está aí" e sugere "um boteco de verdade", no Tatuapé.Quinta-feira ainda chegam, aqui e ali, e-mails da turma. Você percebe que a cerveja não rolou, um filhote de labrador foi negociado na paralela e "Marola" e "Luluteca" trocam receitas de guacamole. Sexta à tarde, antes de desligar o computador, chega a última mensagem. Diz assim: "Só podia ser palmeirense, mesmo, hein, Nestor?!". Depois disso, todos desaparecem, sem mais explicações, e você fica pensando como diabos foi parar no meio daquilo.

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