A vida como ela era

Nem só de vampiros e fantasias juvenis vivem as listas de best sellers. Por incrível que pareça, em um país onde se lê pouco (bem menos do que na Argentina), um livro de História como 1808, de Laurentino Gomes, já vendeu 600 mil exemplares. O recém-lançado 1822 é ainda melhor e pode até ir além. É muita gente lendo livros muito bons.

Nelson Motta, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

Antes, Viagem do descobrimento e Náufragos, traficantes e degredados, de Eduardo Bueno, lideraram a lista de mais vendidos meses a fio, conquistando legiões de leitores para as aventuras, romances e emoções da nossa História.

Nada mais animador do que ver o Guia politicamente incorreto da História do Brasil, de Leandro Narloch, que desmoraliza algumas das maiores fraudes e mitos da nossa história oficial, ultrapassar os 100 mil vendidos, que só raras estrelas da música pop atingem. Merece um "Livro de Ouro".

Grandes livros como Mauá, empresário do Império, de Jorge Caldeira, O príncipe maldito, de Mary Del Priore, e Terra Papagalli, de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta, fizeram sucesso com boas histórias, muito bem contadas, de épocas, eventos e personagens fascinantes da nossa História. Simples assim.

O melhor é que essas espantosas quantidades se devem às reconhecidas qualidades dos livros, que popularizam a nossa História sem vulgarizá-la ou ideologizá-la, nos ajudando a tentar entender por que somos assim, para o bem e para o mal. E para aprender a não repetir, como farsa, velhos erros, vícios e ilusões e suas desastrosas consequências, como o cartorialismo, o nepotismo, o paroquialismo, o fisiologismo, o coronelismo, o patrimonialismo, o autoritarismo, o sebastianismo e outros ismos históricos de funesta memória.

Julio Cortázar dizia que a ficção é a história secreta das sociedades, mas a verdade é que poucas ficções podem superar essas reportagens da nossa História real, com sua carga de dramas e tragédias, de comédias e patifarias, de fraudes e heroísmos, de surpresas e reviravoltas, e de personagens - como o d. Pedro I de Laurentino Gomes - que fariam a justa fama e fortuna de qualquer romancista.

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