A volta ao Congresso, após oito anos

Eleito para o Senado, tucano faz sucessor em Minas Gerais e será a principal liderança [br]da oposição

, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2010 | 00h00

Oito anos e oito vitórias sucessivas depois, o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB) volta ao Congresso. Assumirá uma cadeira no Senado em 2011, levando na bagagem o capital político de quem venceu duas vezes a batalha eleitoral pelo governo mineiro e fez de um quadro técnico, o vice Antonio Anastasia (PSDB), seu sucessor no Palácio Tiradentes.

Aécio sai das urnas como a principal liderança da oposição no Congresso, com a vantagem que lhe confere o perfil de político agregador, capaz de seduzir até aliados do líder nacional mais popular do País, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A tendência é de que ele não entre em confronto com o governo federal em uma eventual administração Dilma Rousseff, mantendo o estilo que ele mesmo define como de "oposição serena". "Aécio não é doido de medir força direto com o Planalto. O embate será em 2014 e não agora", avalia um dirigente tucano.

Emplacar Anastasia no comando do Palácio Tiradentes contra Hélio Costa (PMDB), candidato de Lula, já seria uma "vitória superlativa", por conta do alto desconhecimento do afilhado no eleitorado mineiro. Sobretudo, depois de ter feito de outro técnico desconhecido - Márcio Lacerda (PSB) - o prefeito da capital Belo Horizonte até 2012.

Além de desempenhar papel decisivo na eleição do senador Eliseu Resende (DEM) em 2006 e obter a terceira vitória pessoal seguida, agora, ao conquistar uma cadeira no Senado, Aécio foi bem sucedido em outras empreitadas. Primeiro, conseguiu chegar ao Senado em companhia do ex-presidente Itamar Franco (PPS). Em seguida, contabilizou a eleição de um grupo de parlamentares para acompanhá-lo na Câmara dos Deputados, Casa que já presidiu, e na Assembleia Legislativa, onde quer manter influência.

Vitória suada. O perfil de "político conciliador", que lhe permitiu reunir 12 partidos na coligação Somos Minas Gerais, também foi útil para chegar ao Senado com a força política reforçada por um "time" próprio, que o tem como líder. A vitória foi plural, mas precedida de alguns temores. A mais de um interlocutor, Aécio admitiu que tinha receio do "efeito Lula" em Minas. De fato, Anastasia demorou muito para reagir nas pesquisas de intenção de voto, em que Hélio Costa (PMDB) se mantinha disparado à frente, provocando nervosismo no tucanato.

"Eu sabia que não podia ser vice do Serra. Não sendo candidato a presidente, eu tinha de arregaçar as mangas e sujar as botas para vencer a eleição", confessa o novo senador, destacando que não tinha como "terceirizar" a campanha mineira. "Para a gente vencer, tinha que ser eu aqui, pessoalmente, falando com as pessoas e pedindo votos."

A 20 dias da eleição, boa parte do tucanato mineiro avaliava que Aécio não conseguiria se eleger em dobradinha com Itamar. Os aliados diziam que "levar tudo" não seria possível, apesar da expectativa geral de uma votação "estrondosa" de Aécio. Afinal, isso implicava derrotar o ex-prefeito da capital Fernando Pimentel (PT), que deixara o posto com alta aprovação.

Reconhecido como a mais promissora liderança do PT mineiro, Pimentel era apontado como forte opositor de Itamar na briga pela segunda vaga no Senado. Afinal, os institutos de pesquisa já davam como certo que Aécio seria dono de uma cadeira. Consciente das dificuldades, o ex-governador reforçou a campanha do companheiro do PPS. Passou a usar o programa eleitoral para pedir aos mineiros que também o ajudassem a eleger Itamar.

Na mobilização de prefeitos, lideranças locais e militantes aliados, Aécio sempre alertava que era preciso trabalhar muito. Diante do favoritismo da candidata do PT a presidente na disputa nacional, não faltaram alertas aos companheiros. "Se a Dilma (Rousseff) ganhar esta eleição, temos que estar reforçados na oposição." Ao final, a bancada federal do PSDB subiu de seis para nove deputados.

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