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A330 deve ter caído de ''barriga'' no oceano

Fraturas indicam que passageiros estavam sentados nas poltronas

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

As características e a extensão das lesões encontradas nos corpos de 43 das 49 vítimas do voo 447 da Air France já periciadas em Fernando de Noronha sugerem que ao menos parte do Airbus A330 caiu de "barriga" no mar. O comando militar informou ontem que mais um corpo foi avistado e recolhido pela Corveta Caboclo - dessa forma, já foram resgatadas 50 das 228 pessoas a bordo. A Fragata Bosísio chegou às proximidades de Fernando de Noronha com os seis corpos anteriormente encontrados pelo navio-anfíbio francês Mistral.Peritos ouvidos pelo Estado dizem que, até agora, praticamente 95% dos cadáveres apresentavam fraturas no terço medial das pernas, nos braços e na região do quadril - semelhantes aos verificados em pessoas que caem de grande altura. Na avaliação de legistas, esse é um indício de que alguns passageiros estariam sentados em suas poltronas no momento da queda. Outro sinal é a baixa incidência de traumatismo craniano.Se o avião tivesse caído de bico, dizem peritos, era de se supor que as vítimas apresentassem ferimentos mais severos na cabeça - sobretudo as que estavam sem o cinto. Também foram detectadas petéquias (lesão de cor avermelhada) nas mucosas de grande parte dos cadáveres. Embora estejam associadas à morte por asfixia, elas podem surgir em outras situações, como politraumatismo. "Sabemos que houve despressurização da cabine, conforme indicou uma das mensagens enviadas pelo avião. Mas ainda é cedo para afirmar que as vítimas morreram em função disso, mesmo tendo sido encontradas petéquias em muitos dos corpos", disse um legista.A quantidade de roupas nos cadáveres - um importante indicativo da dinâmica do acidente - tem variado. Alguns chegaram com trajes completos e outros com pouca roupa. Entre os primeiros 16 corpos retirados do mar, por exemplo, grande parte estava despida ou com roupas mínimas. Anteontem, porém, os legistas descobriram que a maior parte das vítimas entregues ao Instituto Médico-Legal (IML) dessa forma havia sido resgatada pela fragata francesa Ventose, que pode não ter seguido o protocolo habitual. "Eles podem ter retirado as roupas para facilitar o resgate ou o transporte dos corpos, mas isso prejudica nosso trabalho, até porque as vestes poderiam fornecer dados importantes, como cheiro de combustível e eventuais queimaduras", disse outro perito.Apesar de as pistas indicarem que parte do avião pode ter chegado íntegro ao mar, a hipótese de que o jato se despedaçou no ar continua sendo investigada por legistas do IML e peritos da Aeronáutica. Os trabalhos no Recife, onde são feitos exames para identificação dos corpos, estão sendo acompanhados por duas equipes de peritos franceses - uma ligada ao Escritório de Investigação e Análises para a Segurança da Avião Civil (BEA, na sigla em francês) e outra ao Judiciário daquele país. Embora tenham trazido equipamentos (máquinas fotográficas e um raio x portátil) e estejam aptos a ajudar, os profissionais têm atuado apenas como observadores.DOCUMENTOSO processo de identificação das vítimas não tem prazo para ser concluído, mas avança de maneira satisfatória, segundo dois legistas ouvidos pela reportagem. O grau de dificuldade varia conforme o estado do cadáver. Os que estão vestidos, com documentos nos bolsos ou alianças de casamento, por exemplo, estão praticamente identificados. Ainda assim, os peritos aguardam resultados de outros exames antes de comunicar as famílias. Ao final de cada dia, os legistas se reúnem numa espécie de colegiado para decidir se os dados obtidos sobre determinadas vítimas são ou não suficientes para identificá-las. COLABOROU ANGELA LACERDA

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