A330 estava inteiro ao cair no mar

Mas investigadores não sabem se houve despressurização do avião

Lúcia Jardim, PARIS, O Estadao de S.Paulo

03 Julho 2009 | 00h00

O A 330 que realizava o voo 447 e se acidentou no dia 31 de maio atingiu ainda inteiro o mar e em "forte aceleração vertical", ou seja, não houve explosão nem incêndio antes da queda, afirma o Escritório de Investigações e Análises (BEA), o órgão responsável pelas investigações do acidente que causou a morte de 228 pessoas. Os especialistas da entidade, no entanto, não são capazes de concluir se houve despressurização durante o voo ou se os passageiros ainda estavam vivos no momento do choque. A falha nos sensores de velocidade segue como principal pista para explicar a queda, mesmo que não haja certeza de que a pane seja a causa original da catástrofe. As conclusões fazem parte do primeiro relatório apresentado publicamente pelo BEA, um mês depois da tragédia. As informações dadas frustraram as famílias. "Não sabemos se houve despressurização ou não, nem se no momento do impacto no mar as pessoas estavam vivas ou não. Só espero que essas questões não se prolonguem por anos", disse Christophe Noël-Guillot, coordenador da Associação pela Verdade, Auxílio e Defesa das Vítimas do Voo 447. "O avião não foi destruído em voo. Parece ter atingido a superfície da água em linha de voo e com uma forte aceleração vertical", disse o responsável pelos trabalhos de investigação, Alain Bouillard, em entrevista ontem à tarde na sede do escritório do BEA, em Le Bourget, periferia de Paris. A constatação vem do fato de que a parte de baixo do avião estava "muito danificada" e deformada em direção ao alto. As observações nos destroços recuperados também permitem aos investigadores concluir que o leme, encontrado ainda fixado ao avião, foi rompido em um movimento brusco de trás para a frente, o que deve significar que foi arrancado no momento do choque. PITOT O defeito nos sensores de velocidade - os chamados tubos de pitot -, apontado como uma das possíveis causas do acidente, é por enquanto o único elemento concreto de que os investigadores dispõem. Esse defeito, no entanto, ainda não pode ser apontado como a razão da tragédia. "O pitot é um dos primeiros elementos da cadeia eletrônica. É algo fortemente suspeito. Mas, hoje, o pitot é um dos elementos, não é a causa." Conforme Bouillard, nenhum colete de salvamento foi encontrado cheio, dando a entender que os passageiros não estavam preparados para a queda. TURBULÊNCIA As 24 mensagens automáticas enviadas pela aeronave a partir das 2h10 (23h10 no horário de Brasília) indicam que, em decorrência da falha nos pitots, o piloto automático foi desativado e a aeronave passou a ser comandada manualmente, ao mesmo tempo em que enfrentava uma zona de turbulência. É a partir desse momento que sucessivos sistemas estruturais do avião começam a entrar em pane da mesma forma, de acordo com as mensagens. Os testemunhos recolhidos com outros pilotos que efetuavam rotas semelhantes no mesmo horário apontam que todos, naquela região, tiveram dificuldades de comunicação com os controladores de Dacar e optaram por contornar a zona de turbulência. Não se sabe se o piloto do 447 tentou fazer o mesmo.

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