Abadía é extraditado para os Estados Unidos

Traficante deixou a prisão de Campo Grande por volta das 4h30 e não há informações de desembarque

João Naves, enviado especial,

22 Agosto 2008 | 09h33

O narcotraficante colombiano Juan Carlos Ramirez-Abadía foi transferido do Presídio Federal de Campo Grande para uma unidade prisional dos Estados Unidos. Ele deixou a penitenciária às 4h30 da madrugada desta sexta-feira, 22, em um veículo modelo Van, protegido por três viaturas do Departamento Penitenciário Federal e outras três da Polícia Federal. Embarcou no Aeroporto da Base Aérea com destino a Manaus (AM) e não há informações sobre o local de desembarque nos EUA.   Veja também: MS comemora e, agora, quer saída de Beira-Mar Outros criminosos que se refugiaram no Brasil  Imagens da operação que prendeu Abadía Todas as notícias sobre a prisão de Abadía    A decisão sobre a extradição de Abadía foi assinada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, na terça-feira, 19, e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte.   Abadía foi preso em São Paulo no dia 7 de agosto de 2007, quando ele estava sua casa de alto luxo em Aldeia da Serra, e chegou a oferecer R$ 35 milhões à Justiça brasileira para ser extradidato para os EUA. Com a extradição, o traficante pode negociar uma coloboração com a Justiça dos EUA e, assim, deixar de ser réu e se tornar testemunha de investigações contra o crime organizado.   Em abril deste ano, foram realizados um leilão e um megabazar com objetos do traficante. Organizados no Jockey Club, em São Paulo, os eventos atrairam a curiosidade de milhares de pessoas. O bazar, previsto para durar seis dias, teve tanto sucesso que os produtos acabaram e o evento durou apenas dois dias.   Acusações   O traficante é acusado de lavar cerca de US$ 9 milhões arrecadados com o tráfico internacional de drogas. O traficante é acusado ainda por outros três crimes: formação de quadrilha, falsidade ideológica e corrupção ativa. O colombiano fugiu para o Brasil em julho de 2004. Na fuga, teria usado mais de 30 documentos falsos, feito plásticas e subornado agentes públicos   Ramirez-Abadía também era procurado pela Agência Americana Antidrogas (DEA), que oferecia até US$ 5 milhões em troca de informações sobre o seu paradeiro. Nos anos 80, antes de começar a trabalhar no tráfico de drogas, Abadía era um jovem de classe média alta, universitário e adorava cavalos. Em pouco tempo, se tornaria em um possível sucessor dos barões do Cartel de Cali, junto com o amigo Juan Carlos Ortiz. Em 1996, os dois se entregam à Justiça colombiana. O Departamento de Justiça dos EUA pediu sua extradição nessa época, pelo presumível envolvimento com o Cartel do Vale do Norte.   O país não foi atendido e Chupeta cumpriu quatro dos 24 anos a que foi condenado - o traficante foi beneficiado pela confissão dos crimes. Suspeita-se que o traficante mantinha controle sobre os negócios mesmo dentro da prisão. A poucos dias de ser solto, seu amigo Ortiz foi assassinado. A autoria do crime foi atribuída ao novo sócio de Chupeta, Wílber Varela.   Abadia era um dos nove membros do Cartel do Vale do Norte processados pelos EUA. Ele é acusado de enviar anualmente centenas de toneladas de cocaína a Los Angeles e San Antonio, por rotas marítimas e aéreas que partiam da costa do México. O traficante também era responsável pela criação sua própria rede distribuidora de drogas em Nova York e se dedicava ao transporte e comércio de heroína. Até a sua prisão, suspeitava-se que o traficante se escondia no Chile, Uruguai e Argentina.   Processos    No Brasil, Abadía responde apenas a processo por lavagem de dinheiro. A extradição do colombiano já havia sido aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 13 de março. Entretanto, o ministro da Justiça via com cautela a questão. "Estamos examinando com cautela e em parceria com o governo e a embaixada americanos a oportunidade de cumprir a aceitação de extradição", disse Tarso no início do mês. Isso porque a condenação de Abadía no Brasil seria pequena pois as acusações que pesam contra ele são menores se comparadas às acusações nos EUA.   Ligação com Beira-Mar   O colombiano estava preso no Presídio Federal de Campo Grande (MS) junto com o traficante Fernandinho Beira-Mar. No dia 4 de agosto, a Operação X da Polícia Federal prendeu oito pessoas acusadas de fazer parte do esquema montado pelos traficantes para ameaçar juízes.   Os dois traficantes usaram os advogados e familiares de grupos criminosos diversos, cujos chefes estão no mesmo presídio, para ameaçar essas autoridades. O plano foi descoberto pela inteligência da PF. Uma delas é o advogado Vladimir Búlgaro, defensor de José Reinaldo Girotti, um dos maiores financiadores de grupos criminosos do País, entre os quais o Primeiro Comando da Capital (PCC), que também está preso em Campo Grande.   Na ocasião, o juiz corregedor do Presídio Federal de Campo Grande, Odilon de Oliveira, lembrou que Beira-Mar sempre ordenou vários crimes, entre eles seqüestros e o narcotráfico, de dentro do presídio. "São as visitas que recebe, o meio de contato do Beira-Mar com as quadrilhas que comanda no Brasil e no Paraguai", afirmou.   Oliveira disse ainda que a quadrilha desmantelada era formada por Beira-Mar e Abadía, "tão ou perigoso quanto Beira-Mar", e ainda os dois assaltantes do Banco Central de Fortaleza. Os quatro passarão a ser mantidos sob regime especial no presídio de Campo Grande. Beira-Mar já está cumprindo pena nessa condição especial.   Texto alterado às 15h24 para acréscimo de informações.

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