Abadía: PF prende mais dois com R$ 1 milhão

Operação ocorreu em Campinas; DEA interrogou traficante por 6 h

O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2010 | 00h00

A Polícia Federal prendeu ontem à noite em Campinas mais dois integrantes da quadrilha do megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía. As investigações levaram ao colombiano Jaime Verano Garcia, irmão do chefe da célula do bando em Curitiba, Victor Garcia (preso na terça-feira), e o motorista do grupo em Campinas, o brasileiro Eliseu Almeida Machado. Nas casas dos dois, foi apreendido mais de R$ 1 milhão.A operação de ontem, que contou com agentes da Agência de Combate às Drogas (DEA, na sigla em inglês) da polícia americana e Procuradoria Federal, começou com o mandado de busca na casa do colombiano na Vila das Verbenas, no bairro Gramado, repleto de condomínios de alto padrão. Os federais encontraram dinheiro enterrado na casa alugada pelo colombiano. Com a prova material em mãos, os federais prenderam Garcia em flagrante. Ele os levou à casa do motorista. Segundo vizinhos, que pediram para não serem identificados, Garcia, a mulher, a filha de 1 ano e um filho de 5 eram bastante educados, mas reservados. Ele cumpria todas as obrigações do condomínio, nunca atrasou um pagamento e recebia visitas com carros luxuosos. Um episódio que chamou a atenção do síndico foi o fato de Garcia construir uma churrasqueira no fundo da casa (mesmo sem ser o dono). Depois da operação da PF, os moradores imaginam que obra tenha sido a tática para esconder o dinheiro.Ontem, homens da DEA e da polícia colombiana interrogaram Ramírez Abadía ao lado de agentes da PF. Nos Estados Unidos, um funcionário da DEA disse que a cooperação de Ramírez Abadía pode levar à prisão de outros líderes do Cartel do Norte do Vale, ainda foragidos. "Para vocês (da DEA), eu falo nos Estados Unidos", disse ontem, de novo, o colombiano. O interrogatório durou seis horas. Admitiu que tinha negócios no Brasil, negou que traficasse drogas no País, mas confirmou sua participação no tráfico internacional. Ramírez Abadía falou pouco com os policiais estrangeiros. Evitou responder sobre a estrutura da organização no exterior, pois quer trocar o que sabe num acordo para reduzir a pena nos EUA. Ele será transferido para um presídio federal.

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