Abadía será extraditado para os EUA em no máximo 10 dias

Segundo ministro da Justiça, Tarso Genro, extradição só depende de 'aspectos formais' do governo americano

Rui Nogueira, de O Estado de S. Paulo,

21 Agosto 2008 | 11h47

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse nesta quinta-feira, 21, que a concretização da extradição do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía do Brasil para os Estados Unidos, decidida pelo governo brasileiro, só depende de "aspectos formais" por parte de autoridades norte-americanas. Genro observou que a questão principal já está resolvida e que ele será enviado àquele país "em questão de dias".   Veja também: Abadía será extraditado para EUA Outros criminosos que se refugiaram no Brasil  Imagens da operação que prendeu Abadía Todas as notícias sobre a prisão de Abadía     O secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma, também informou que Abadía deverá sair do Brasil no prazo de uma semana ou dez dias. As duas portarias, com as decisões do ministro da Justiça, foram publicadas na edição de quarta-feira do Diário Oficial da União. O prazo é necessário para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos providenciar o esquema de segurança e de transporte do traficante e entregá-lo ao Judiciário e ao FBI, a polícia federal americana, explica Romeu Tuma.   Tuma confirmou que, antes de Tarso assinar as portarias de expulsão e extradição, o governo americano se comprometeu formalmente a cumprir a regra da cooperação penal internacional: a punição máxima do sistema judiciário brasileiro, que é de 30 anos, tem de ser respeitada pelo Judiciário americano. A decisão do ministro foi adotada com base em um parecer do secretário Tuma, recuando da posição inicial, que era obrigar Abadía a cumprir a pena de 30 anos no Brasil.   "O combate ao crime organizado ganha mais aqui dentro, no Brasil, e lá fora com a extradição do traficante. Ele cumpriria pena e ficaria livre. Nos Estados Unidos, há um enorme rol de crimes, incluindo assassinatos, que permitem à polícia continuar as investigações. Ele pode vir a falar e dar muitas informações, por meio de algum programa de delação, e nós podemos nos beneficiar com detalhes sobre os negócios do traficante e seus parceiros no Brasil ainda desconhecidos", disse Tuma, justificando a decisão.   A decisão para que o traficante fosse extraditado foi tomada duas semanas depois de a Polícia Federal (PF) ter descoberto que o colombiano articulava a formação de uma quadrilha dentro do Presídio de Campo Grande (MS).   Um dos comparsas do crime de formação de quadrilha era ninguém menos que o traficante brasileiro Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que também está preso em Campo Grande. As articulações de Abadía no Presídio de Mato Grosso do Sul foram descobertas pela Operação X, da Polícia Federal.   Abadía planejava a fuga da prisão mediante extorsão e seqüestro de autoridades dos governos federal e estadual - até um filho de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) estava na lista de possíveis alvos do traficante. A extradição de Abadía não precisa mais passar pela sanção do presidente da República. Por delegação presidencial, o ministro pode tomar essa decisão sozinho.O governo dos EUA decide agora se transporta Abadía em vôo especialmente fretado para a missão ou embarca o traficante em um vôo de carreira - o que não é comum, por questões de segurança.   (Com Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo)   Atualizado às 14h35 para acréscimo de informações

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