Abaixo-assinado pede intervenção no Masp

Críticos, historiadores de arte, museólogos e galeristas, entre outros, querem que o poder público passe a atuar na administração

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

28 de dezembro de 2007 | 00h00

O movimento contrário à atual gestão do Masp ganhou ontem reforço maciço. Um abaixo-assinado organizado pelo professor Luiz Marques, ex-conservador-chefe do museu, intitulado SOS Masp: Apelo aos Poderes Públicos, já contava com mais de 50 adesões de peso, entre críticos e historiadores de arte, museólogos, galeristas e personalidades. Entre os que já subscreveram o documento estão Fábio Magalhães, ex-diretor do Memorial da América Latina, os críticos Agnaldo Farias, Alcir Pécora e Nelson Aguilar, a curadora Cacilda Teixeira da Costa, o filósofo José Arthur Giannotti e Manuela Carneiro da Cunha.O documento chama o Masp de "instituição enferma" e pede a pronta intervenção dos poderes públicos. "O problema a ser atacado de frente é de ordem institucional, pois, deste ponto de vista, o Masp é uma aberração: não sendo uma fundação, não dispõe de dotação original; não sendo, por outro lado, um museu do Estado, não é amparado por lei orçamentária. O mais importante museu de arte do Hemisfério Sul é uma sociedade civil de direito privado, constituída por algumas dezenas de associados que nada pagaram para sê-lo e que não contribuem com um centavo para a manutenção de sua associação."Os organizadores do abaixo-assinado prevêem que a data de 12 de novembro de 2008, quando cessa o contrato de comodato do prédio do museu, cedido pela Prefeitura, é perfeita para se retirar das "instâncias privadas" sua gestão. Dessa forma, a tese da intervenção do Estado também ganha corpo. Também ontem, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo soltaram nota conjunta, informando que têm interesse em ajudar o Masp, mas que isso vai depender da "participação das duas esferas governamentais na gestão da instituição".A promotora Mariza Schiavo Tucunduva, do Ministério Público Estadual, intimou o presidente do museu, Julio Neves, para uma reunião hoje, às 14h30, na sede do MP, em São Paulo. Também foi chamado Ronaldo Bianchi, secretário-adjunto da Cultura do Estado de São Paulo. Segundo Mariza, a idéia é "apurar a situação financeira difícil por que passa o museu" e também discutir uma forma de o governo do Estado passar a auxiliar a instituição, "visando a preservação do patrimônio cultural do País". O Conselho Deliberativo do Masp se reuniu extraordinariamente anteontem. Novo postulante à presidência, o publicitário Nizan Guanaes não compareceu. Em nota assinada por Julio Neves, e pelo presidente do conselho deliberativo, Adib Jatene, há um ataque aos críticos da administração. "A direção lamenta as declarações de oportunistas que, visando promoção pessoal, se aproveitam desta ação criminosa para confundir a opinião pública e denegrir o trabalho dos dirigentes do museu."

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