Abandono de carros cresce 111%

No 1.º trimestre deste ano, Prefeitura recolheu 182 veículos das ruas; de 2005 a 2008 foram retirados 1.379

Felipe Oda, O Estadao de S.Paulo

02 Julho 2009 | 00h00

O Chevrolet Opala branco da foto ao lado "descansa" sobre rodas na Vila Suíça, travessa da Rua dos Estudantes, na Liberdade, centro da capital. Ninguém da vizinhança sabe quem é o dono e nem como o veículo foi parar lá, "há alguns anos", e o Opalão "órfão" engrossa a lista de carros e carcaças abandonados nas ruas da cidade. No primeiro trimestre de 2009, 182 veículos nessa situação foram recolhidos pela Prefeitura - um aumento de 111% na média trimestral registrada nos últimos quatro anos. De 2005 a 2008, foram retirados 1.379 veículos das ruas - o equivalente a cerca de 86 carros por trimestre. A região sob jurisdição da Subprefeitura do Campo Limpo, que engloba os bairros do Capão Redondo e de Vila Andrade, na zona sul, lidera os abandonos de carros em 2009. Lá, 56 veículos abandonados foram recolhidos das ruas. Em seguida aparecem as Vilas Guilherme, Maria e Medeiros, na zona norte, com 39 ocorrências. Porém, o problema não ocorre só na periferia. Segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, dos 567 carros recolhidos no ano passado, 309 estavam em ruas da Bela Vista, Bom Retiro, Cambuci, Consolação, Liberdade, República, Santa Cecília e Sé - distritos da Subprefeitura Sé. Em 2009, por enquanto, 21 carros foram retirados nessa região central da capital. Segundo a secretaria e a Polícia Militar, não há dados sobre os motivos que levam ao abandono. No entanto, o secretário de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, cita, como as principais causas, as dificuldades financeiras do proprietário para manter o carro - custo com manutenção, impostos e até quitação do financiamento - e os casos provenientes de roubos e furtos (os "desaparecidos"). Para identificá-los, a Prefeitura conta com funcionários das 31 subprefeituras e a colaboração da população, que pode denunciar os casos pelo telefone 156. De acordo com Matarazzo, após a denúncia, um agente vistor vai ao local onde o carro está para colher informações sobre o veículo e avaliá-lo. "O abandono é constatado pela situação do veículo", explica Matarazzo. Passados cinco dias no mesmo local, o carro é considerado abandonado pela Prefeitura. Mas antes de guinchá-lo para algum pátio a PM é acionada para levantar seu histórico. Os veículos provenientes de roubo ou furto são levados para o distrito policial. Quando há placas de identificação ou número do chassi, o proprietário é acionado e um boletim de ocorrência, registrado. Os carros são guinchados e permanecem até 90 dias nos pátios. Para reavê-los, o proprietário deve quitar os débitos pendentes, pagar o guincho e diárias da estada no pátio, que custam em média R$ 3. Além disso, há uma multa de R$ 500 por infringir a Lei Municipal 13.478, sobre limpeza urbana. No entanto, o Código de Trânsito Brasileiro não prevê multa por abandonar veículo em vias públicas, segundo Cyro Vidal Soares da Silva, presidente da Comissão de Assuntos e Estudos sobre Direito de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "Os carros abandonados são um enorme transtorno. Ocupam pátios e os leilões para vendê-los não são tão frequentes ", afirma Matarazzo. Dos 1.561 carros abandonados e retirados pelo poder público das ruas, desde 2005, só 197 foram resgatados pelos donos. O resto ou foi leiloado para ferros-velhos ou continua órfão nos pátios oficiais.

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