Abastecimento de água em Brasília pode entrar em colapso

A Companhia de Água e Esgoto de Brasília (Caesb) admite que, em quatro anos, a capital poderá enfrentar problema de abastecimento de água mesmo na época de chuvas. A demanda e a produção na última seca (julho a outubro) já estiveram no mesmo nível. O consumo chega a 10 mil litros por segundo, 2 mil a menos que a produção normal.Especialista em manejo de bacias hidrográficas, o professor da Universidade de Brasília Henrique Marinho Chaves estima que a demanda de água atingirá o mesmo patamar da produção em menos de dois anos.A ocupação irregular das terras e a proliferação de poços em condomínios complicam a situação. "O maior problema de Brasília não é o grileiro de terra, mas o grileiro de água."A Caesb informou que as obras da Hidrelétrica de Corumbá 4 podem garantir água por mais 90 anos. Mas, para tornar a água potável, será preciso tratar o esgoto do Distrito Federal e de Goiás. O governo federal promete instalar até 2003 duas estações de tratamento.Águas Lindas de Goiás, a 39 km de Brasília, pulou de 5 mil para 105 mil habitantes em 10 anos. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é semelhante ao do semi-árido nordestino (0,498). A cidade não tem abastecimento, e uma máfia de donos de poços obriga os moradores a pagar até R$ 500, além de R$ 20 mensais, para ter água na torneira.Recentemente, a Justiça afastou três vereadores donos de poços: Nilson da Água (PSDB), Orlando Maranhão e Wilson do Senal (PMDB), acusados de negar à população serviço essencial.

Agencia Estado,

08 de dezembro de 2002 | 15h27

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