Abertura da SIP debate avanço do smartphone

Donos de jornais contaram experiências bem-sucedidas de integração com a tecnologia móvel e como conseguiram transformá-las em receita

GABRIEL MANZANO, ENVIADO ESPECIAL / LIMA, O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2011 | 03h05

Há muitos temas políticos e jornalísticos pelo caminho, mas foi um assunto técnico que abriu, ontem, a 67.ª Assembleia-Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), em Lima. Dois editores e donos de jornais contaram como estão conseguindo transformar a tecnologia móvel - o celular - de inimigo em fonte de receitas, para quem souber integrar os dois universos.

Os defensores da ideia, que contaram suas experiências bem-sucedidas, foram o peruano Gustavo Mohme Jr., da Gmóvil, e o hondurenho Jorge Canahuati, dono do jornal La Prensa e de uma rede de publicações em Honduras. Hoje, outros dois painéis tratarão do mesmo assunto. No primeiro, Pedro Doria, do Infoglobo, contará as estratégias adotadas pelo grupo carioca. Em seguida, os jornalistas Michael Greenspan e Paul Smurl, do New York Times, contarão por que deu certo a decisão do jornal americano de cobrar pelo conteúdo da internet.

E, no primeiro debate político da assembleia, um estudioso de mídia, o alemão Wolfgang Donsbach, do Instituto de Comunicação de Dresden, falará sobre as grandes mudanças nas relações entre jornais e políticos.

Futuro. "O colapso do BlackBerry, há dois ou três dias, e o fenômeno midiático da morte de Steve Jobs, que explodiu no Twitter, mostram como dependemos hoje dessa tecnologia", resumiu Gustavo Mohme Jr. "Jobs foi o assunto, sozinho, de 16% das mensagens no Twitter no planeta inteiro no dia em que morreu, comentado aqui, na África ou na China." Isso basta para entender, prosseguiu ele, "que esse mercado é o futuro".

Ele clareou esse horizonte com alguns poucos números. Por exemplo, que há hoje no mundo 3 bilhões de televisões e 5 bilhões de celulares. Nesse cenário, a América Latina vive uma situação inédita: ultrapassou a Europa, em número de celulares e tem hoje a segunda maior rede nesse setor, com 530 milhões de aparelhos. Perde só para a Ásia.

Mas antes de dar alegria, essas novas áreas vão dar muito sofrimento, avisou Mohme Jr. Ele citou o exemplo da Espanha, onde a explosão dos smartphones e novas travas na legislação fizeram o faturamento cair de 110 milhões, em 2009, para 58 milhões, em 2010. "A saída é reinventar o negócio." E um dos caminhos, afirmou, é dar forca aos conteúdos locais e trabalhar bem nos serviços mais procurados, como as fotos e os esportes.

"O mercado de tecnologias móveis deve crescer 1,3% este ano no mundo", acrescentou Jorge Canahuati, que relatou uma experiência, em Honduras, parecida com a do colega peruano. A pequena empresa que criou em 2007, dentro de seu grupo Opsa, em 2010 já faturava 50% de seu grupo de jornais e revistas e, este ano, deve crescer 8%.

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