Abifarma debate acesso a medicamentos no Brasil

O País precisa começar a discutir amplamente uma política de acesso da população aos medicamentos, que contemple os interesses do governo, da indústria farmacêutica e da população. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica, Ciro Mortella. A Abifarma realiza hoje o seminário "O acesso aos medicamentos no Brasil - uma discussão econômica e social", que tem como objetivo ampliar o debate sobre as políticas de acesso a medicamentos.Segundo Mortella, "não adianta a indústria bolar um projeto e apresentar à sociedade, é preciso discutir em conjunto". No evento estão sendo debatidos os aspectos da legislação do mercado farmacêutico, a experiência internacional em políticas públicas de assistência farmacêutica, alternativas para um política pública de assistência farmacêutica no Brasil e o alcance dos medicamentos genéricos.O presidente da Abifarma comenta que o setor farmacêutico tem de receber do governo um tratamento igual ao dado aos demais setores. Nesse sentido, a política de controle de preços de medicamentos restringe a capacidade produtiva desta indústria, atrapalhando o desenvolvimento de novos produtos. "É um absurdo o Estado querer determinar os preços em que ele não é o maior comprador", disse.Quanto aos genéricos, a Abifarma declarou que, desde que foram lançados, não houve aumento do consumo e que quem não tem acesso aos medicamentos genéricos não é beneficiados. A entidade sugere como solução para o acesso da população aos medicamentos considerar os seguintes pontos: mercado livre para produto de marca, mercado de genéricos, programas de assistência farmacêutica através de seguros saúde, programas de compra e subsídio do Estado para as populações carentes e respeito à lei de patentes.Alguns dados da Abifarma mostram que a parcela da população com rendimentos de até quatro salários mínimos gasta em média R$ 41 por ano em medicamentos. Os que recebem entre quatro e dez salários mínimos gastam, em média, R$ 125 por ano em remédios. O gasto daqueles que ganham mais de dez salários mínimos anualmente é de R$ 402. Segundo a entidade, o preço médio dos medicamentos no Brasil é de US$ 4,93, contra US$ 5,77, no Uruguai, US$ 9,82, na Argentina, e US$ 48, nos Estados Unidos.

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