Aborrecidos, brasileiros barrados na Espanha chegam a SP

Grupo de brasileiros já está em Cumbica; vôo da Ibéria saiu da Madri na noite de quinta

Solange Spigliatti, do estadao.com.br, e Leda Letra, da Rádio Eldorado,

07 de março de 2008 | 08h11

Um grupo de 11 brasileiros dos 30 barrados em Madri, na Espanha, na quarta-feira, 5, já chegaram ao Brasil e mostraram-se aborrecidos pelo comportamento das autoridades espanholas. O vôo 6827 da Ibéria, que partiu de Madri por volta das 21 horas de quinta-feira, 6, pousou no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, às 6h55 desta sexta-feira, 7.   Veja também: Espanhóis são barrados no Aeroporto Internacional de Salvador Espanha veta entrada de 30 brasileiros Saiba como agir se for barrado em aeroporto Policiais espanhóis chamaram brasileiros de 'cachorros', diz mãe Brasil ameaça restringir entrada de espanhóis no País Brasil deve adotar medidas contra espanhóis?      Uma das brasileiras, que só deu o primeiro nome, Elizabeth, que mora em Manaus, disse que o tratamento oferecido aos brasileiros foi o pior possível, e que eles foram detidos em uma sala e depois de 6 horas levados de ônibus para outra área.   Ela estimou que cerca de 100 brasileiros ficaram detidos, sendo a maioria do Rio de Janeiro, que deverão seguir em vôo direto de Madri para o Rio. Ela estava preocupada em encontrar uma conexão para Manaus, onde mora, e pediu que não se tirasse foto dela. Os brasileiros estão conversando com as autoridades e saem aos poucos do interior do Aeroporto de Cumbica.   Ao todo, sete brasileiros já saíram da área de desembarque e tentam remarcar seus vôos para outras cidades do País. Os outros quatro passageiros barrados em Madri não foram vistos e podem ter ido diretamente para o Rio de Janeiro. Segundo uma das brasileiras que desembarcou nesta sexta em Cumbica, quatro paraguaios que foram barrados na cidade espanhola também chegaram a São Paulo no vôo 6827 da Ibéria, totalizando 15 passageiros deportados no avião.   Na noite de quinta-feira, a primeira leva de brasileiros retidos na Espanha chegou a Guarulhos. Segundo versão de quatro jovens impedidos de entrar na Espanha, há ainda pelo menos 90 brasileiros que aguardam a volta ao Brasil em Madri, em uma sala de 30 metros quadrados onde há cerca de 300 estrangeiros barrados no serviço de imigração do país desde o dia 4 - além de brasileiros, há chilenos, paraguaios e mexicanos. "Fomos tratados como cachorros o tempo inteiro. Iria voltar no dia 13, queria só conhecer a capital da Espanha durante oito dias. Mostrei meu cartão de crédito internacional, 800, carta de recomendação da minha faculdade. Mas, depois de uma hora na espera da fila da Imigração, me falaram que eu não tinha um guia do país, então me jogaram naquela sala imunda do aeroporto", contou o campineiro Everton Willian de Paula Souza, de 19 anos, estudante do segundo ano de Turismo da Unip. Roberto Gracco, de 20 anos, outro jovem que declarou ser estudante de Turismo da Unip de Campinas, também foi deportado. "Davam comida fria para a gente e só água. Foi horrível, nunca mais quero ir para a Espanha", disse. "Eu também mostrei meu cartão internacional, seguro de saúde. Mas eles falaram que eu queria trabalhar lá, que minha cara não enganava. Me senti muito humilhado", afirmou. Outros dois estudantes do Recife também estavam entre os deportados. Élder Oliveira, de 25 anos, que disse ser aluno de um curso técnico de Turismo, relatou que os guardas pediram a ele uma carta de recomendação do cônsul da Espanha no Brasil. "Eu ia voltar no dia 12, era só uma semana para curtir Madri, conhecer a cidade. Mas o guarda falava na salinha do aeroporto para todos brasileiros que eles estavam orientados a deixar entrar apenas oito turistas do Brasil por dia em Madri", disse Oliveira, que fez a viagem com o colega Andrews Renoir, de 25 anos, também deportado. "Não deixaram a gente tomar banho nos dois dias que estivemos presos. E tem muito brasileiro lá ainda. Tem até dois pesquisadores de uma universidade do Rio que estavam indignados", disse Renoir, em referência aos alunos de mestrado Patrícia Rangel e Pedro Luiz Lima, ambos do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), que estavam em trânsito para Lisboa e foram impedidos de fazer a conexão. Antes de ouvir os jovens deportados, o Estado conversou com parte da tripulação do vôo 8065. Segundo eles, nas últimas três semanas, todo vôo brasileiro que chega a Madri tem pelo menos "uns 15 brasileiros deportados". Pouco antes do pouso do vôo vindo de Madri, aterrissaram em Guarulhos dois aviões vindos de Londres e Milão - ambos não tinham deportados entre os brasileiros que estavam nos vôos.   (Colaboraram Diego Zanchetta, de O Estado de S. Paulo, e Andressa Zanandrea, do Jornal da Tarde)

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