Dida Sampaio/AE-3/10/2010
Dida Sampaio/AE-3/10/2010

Abstenção pode cair com disputa acirrada

Aposta é feita por coordenadores das duas campanhas; impacto preocupa mais PSDB

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2010 | 00h00

A polarização acentuada entre as campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) na reta final da corrida presidencial passou a ser vista pelos dois lados como um fator que poderá contribuir para conter o volume de abstenções no segundo turno.

No primeiro turno, 24.610.296 eleitores não votaram, o equivalente a 18,12% do total de brasileiros aptos. Em números absolutos, a abstenção superou a opção do eleitor pela terceira via de Marina Silva (PV), que recebeu 19,6 milhões de votos.

O PSDB demonstra maior preocupação com a possibilidade de o feriadão prolongado de Finados (2 de novembro) - e que em muitos Estados se somará ao do dia do servidor (28 de outubro) - provocar impacto na campanha. Isso porque, na avaliação dos tucanos, a disputa está empatada e porcentuais mínimos farão a diferença, ainda que as últimas pesquisas de intenção de votos tenham mostrado uma ampliação da vantagem de Dilma.

O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, porém, afirma que "não há nenhum sinal vermelho". "O comportamento da abstenção não é uniforme no País. Num primeiro momento, achamos que essa coincidência de feriados poderá não contaminar de forma desequilibrada as duas campanhas", disse Guerra.

Ainda que a previsão tucana não seja pessimista, curiosamente nos Estados governados pelo PSDB o feriado do dia do servidor foi antecipado. Guerra também admite que o partido faz "estudos" para avaliar o impacto das abstenções nos Estados.

Em São Paulo, o governador Alberto Goldman (PSDB) decidiu transferir a comemoração para o dia 11. A mesma data foi adotada no Rio Grande do Sul, governado por Yeda Crusius (PSDB). Em Minas Gerais, o tucano Antonio Anastasia antecipou a comemoração para o dia 25. Todos negam que as alterações tenham relação com o dia das eleições.

Para o deputado eleito Roberto Freire (PPS), também aliado político de Serra, existe a possibilidade de a abstenção aumentar, mas isso afetaria as duas campanhas. "A abstenção maior não prejudicaria só Serra. O Nordeste e o Norte têm abstenção maior, e isso mesmo sem feriadão." É na Região Nordeste onde Dilma Rousseff tem o melhor desempenho eleitoral.

O cientista político Jairo Nicolau observa que tradicionalmente o porcentual de abstenção em áreas mais pobres é maior do que em áreas mais prósperas. "O feriado pode compensar isso, mas nada que altere em mais de 1% o resultado eleitoral", afirma. Por conta disso, conclui, a abstenção deverá ter uma influência marginal na eleição. "Não deve haver efeito devastador, sobretudo porque Dilma abriu uma vantagem maior", conclui.

Engajados. "Num processo muito polarizado, a tendência é que as pessoas compareçam para votar. Estamos vendo o engajamento da militância e o nível de envolvimento com a campanha é impressionante", afirmou o deputado José Eduardo Martins Cardozo (PT), um dos coordenadores da campanha da petista.

Integrante do núcleo de coordenação política de Serra, o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM) tem leitura semelhante: "Com a eleição renhida, prevalece o sentimento de cidadania".

No front petista, a avaliação é de que a eleição será mais simples e direta no segundo turno, já que na maioria dos Estados haverá só a disputa presidencial. "O número de votos nulos e brancos poderá ser menor, o que de certa forma compensaria a abstenção", avalia o deputado estadual Rui Falcão, coordenador de comunicação da campanha de Dilma.

Os petistas concordam com os tucanos que é temerário imaginar que apenas Serra seria prejudicado com uma abstenção em massa, já que setores economicamente mais favorecidos, em tese, vão viajar no feriado.

Para o presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva, setores médios mais politizados não deixarão de votar por causa do feriado. Ele observa, ainda, que o eleitor de baixa renda que deixou de votar no primeiro turno poderá comparecer agora. "Não dá para fazer uma classificação da abstenção por segmento social, mas claro que há um risco maior de a classe média viajar", afirma.

Segundo Cardozo, cabe à Justiça Eleitoral fazer apelos para que os cidadãos não deixem de votar.

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