Academia de Polícia criou curso para lidar com seqüestros

A onda de seqüestros no Estado de São Paulo fez a Academia da Polícia Civil criar no ano passado, no curso de Gerenciamento de Crises, uma cadeira específica sobre esse tipo de crime. Já freqüentaram os cursos, de dois e três dias de duração, cerca de 100 policiais da capital e 60 do interior.O professor é o delegado Maurício Guimarães Soares, que comandou a Delegacia Anti-Seqüestro (Deas) de março de 1991 a março de 2001. Soares trabalhou, em dez anos, em 187 casos de seqüestro.Soares verificou que, a partir de 1995, o seqüestro estava se "banalizando". Ladrões e traficantes passaram a capturar pessoas nas esquinas e na saída de residências, exigindo pagamento dos resgates, ainda que em quantias pequenas. Para o delegado, o processo só se tornou mais agudo desde então."As quadrilhas se organizam em pequenos grupos e cada um tem uma função", explica Soares. Alguns membros do bando são responsáveis pela captura da vítima, outros pelo cativeiro outros pela negociação e o recebimento do dinheiro.Curso explica até como lidar com a imprensaSoares dá aulas na academia de como investigar um seqüestro, como negociar o pagamento do resgate e a liberação do seqüestrado. Ensina como agir em casos de invasão a cativeiro com a vítima em poder dos criminosos e meios de obtenção de provas no local. Também aborda a maneira como o policial deve se comportar com a vítima quando for ouvi-lo e como deve lidar com a família. "Explicamos até como deve ser o relacionamento com a imprensa." As aulas são ilustradas com filmagens feitas em casos investigados pelo professor.Para o delegado, só a especialização permitirá à polícia lidar melhor com os seqüestros. Soares tem se empenhado, por exemplo, para que delegacias do interior contem com homens especializados nesse tipo de crime, para permitir o atendimento rápido dos casos. "Se chegarmos 24 horas depois, muitos indícios já terão se perdido e isto vai atrasar a investigação." Por conta disso, nos últimos meses Soares esteve em Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Campinas. "Só a Ribeirão já fui três vezes."

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