Acadêmicos do Tatuapé inova com 'rei da bateria'

Daniel Manzioni é o primeiro homem a ocupar este posto numa escola de samba

Fernanda Aranda, do Jornal da Tarde,

28 de janeiro de 2008 | 14h42

O público masculino do Carnaval, há tempos, é agraciado pelo gingado das belas rainhas do samba, que desfilam suas formas perfeitas na passarela. A inovação para a festa de 2008 promete atender às súplicas das mulheres. O professor de musculação Daniel Manzioni vai marcar presença entre as mulatas, loiras e até as japonesas passistas. É a primeira vez que um homem conquista o posto de "rei da bateria". O compromisso é fazer bonito na coreografia, deixar sua marca no Sambódromo e abrir espaço para, nos próximos anos, outros colegas entrarem na disputa pelo cargo. "Agora a corte do samba paulistano está completa. Afinal, o que seria de uma rainha sem o rei? Vim para somar nesse Carnaval", conta Daniel, que não pensou duas vezes quando recebeu o convite da Acadêmicos do Tatuapé, escola do grupo de acesso que entra no Anhembi na terceira noite de desfiles. "Sempre gostei muito de samba. Topei o desafio com gosto." Desafio esse que trouxe para o dia-a-dia do rei uma rotina rigorosa de alimentação, ensaios e dedicação. Afinal, para ocupar o "trono" do samba exibe perfeição. A monarquia do Carnaval tem como representantes, apenas para citar alguns exemplos, Juliana Paes, Grazi Massafera, Adriana Bom Bom e Viviane Araújo. Para quem pensa que as beldades torceram o nariz para a presença de Daniel à frente dos bumbos e tamborins, ele responde: "Na Acadêmicos do Tatuapé, as meninas me receberam superbem. Elas não me encaram como um concorrente. As passistas sempre vão ter o seu brilho". Daniel tem 33 anos e larga experiência no mundo do samba. Começou a dançar o estilo aos 6 anos de idade. Aprendeu os passos sozinho. É autodidata também nas coreografias. Já foi destaque de outras agremiações, mas admite o frio na barriga de estrelar como rei. Antes de chegar ao posto, ele concluiu duas faculdades: veterinária e educação física. "Trabalho o corpo 365 dias por ano. Minha profissão me ajuda na passarela." Por enquanto, Daniel Manzioni reina sozinho. Mas espera que sua performance diante da bateria traga duas conquistas principais. "O primeiro esforço é para que a Acadêmicos do Tatuapé volte ao grupo de elite do samba. O segundo é que, em 2009, haja disputa entre os homens para o posto. Tomara que outros candidatos a rei apareçam." No samba, ele não deixa nada a desejar quando comparado às mulheres. E, diferentemente das moças que brigam com a balança para não fazer feio da passarela, Daniel assume: "no meu ritual, muita oração e carboidrato, senão eu emagreço".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.