Acadêmicos do Tucuruvi inova na avenida do samba em SP

A Acadêmicos do Tucuruvi quer causar espanto ao entrar na avenida na madrugada de 17 de fevereiro. "Queremos que as pessoas fiquem boquiabertas e vejam uma escola nova, renovada", disse o carnavalesco Lucas Pinto. Para vivenciar o enredo, que trata das possibilidades de energia alternativa, Renovar é preciso para que o viver seja preciso, a escola também passou por renovação. "O barracão foi ampliado para abrigar alegorias maiores, os tecidos são de maior qualidade, as idéias são mais grandiosas." E é com essa grandiosidade que a escola quer impressionar público e jurados. A ala que simboliza o vento e a energia eólica, por exemplo, vai causar sensações na arquibancada. O carnavalesco não diz como, mas pretende fazer ventar na avenida. Os componentes levarão para o desfile mais de 6 mil cataventos. Um dos maiores orgulhos da Acadêmicos do Tucuruvi em 2007 é a atualidade e o ineditismo do enredo, patrocinado pela Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp). A escola pretende despertar a consciência da população para o uso de energias limpas e mostrar o pioneirismo do Brasil. Introduzir o assunto foi o mais difícil. Por isso, o carnavalesco buscou inspiração na Bíblia. O abre-alas dá exemplos de renovações que ocorrem naturalmente, desde a criação do mundo, nos reinos animal, vegetal e mineral. O mérito das fantasias que vão mostrar o dia e a noite, as estações climáticas, o ano-novo e o ano velho, estão nos detalhes. Toda as fantasias do primeiro setor têm duas cores, o lado direito e o esquerdo são diferentes. O desafio do carnavalesco foi criar sempre representações inéditas. O tema do segundo setor, por exemplo, é o sol. Mas carro alegórico de sol todo mundo já fez. Foi aí que a criatividade de Lucas Pinto chegou a uma nave espacial. "O combustível faz a nave subir e descer, mas o que a mantém no espaço é a energia das partículas solares." Para fugir das fantasias à base de lixo reciclável, a ala que fala da biomassa mostrará as etapas da reciclagem num grande carro alegórico. E a história dos combustíveis no Brasil aparece nas imagens de Getúlio Vargas, entusiasta da produção do petróleo, e de Fábio Meireles, presidente da Faesp e incentivador do programa Pró-Álcool. A bateria, sob o comando do mestre Adamastor, deve ser um show à parte. "O ritmo irá mostrar que o samba é a célula combustível do sambista." Velha guarda Eles gostavam de samba, cerveja e futebol. No Carnaval, improvisavam uns instrumentos - o surdo era uma lata de lixo - e saíam pelas ruas de Tucuruvi, em festa. A quem parava para dançar e ouvir a batucada, pediam contribuição para manter a banda. No grupo de amigos, estava Osvaldo Salvo, hoje com 61 anos. "A gente fazia um barulhinho, mas o pessoal gostava." E o que começou como brincadeira virou negócio sério em 1976, quando fundaram a Acadêmicos do Tucuruvi. O primeiro presidente, escolhido na mesa do bar, foi Osvaldo. Ficou um ano e organizou o 1º desfile da escola, no grupo 5. Neste carnaval, foi convidado a entrar na avenida com a diretoria, mesmo não fazendo parte dela. A musa A madrinha da bateria da Acadêmicos do Tucuruvi, Luisa Mell, apresentadora da Rede TV!, promete "acontecer" na avenida. Sua fantasia foi feita com material diferente, nunca usado antes num desfile. Pelo segundo ano na escola, Luisa fará um protesto contra o aquecimento global. A apresentadora se recusa a usar qualquer acessório de origem animal, como penas, comuns no Carnaval.

Agencia Estado,

06 Fevereiro 2007 | 10h41

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