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Ação contra PCC teve 18 prisões e transferência de líderes

Uma megaoperação da polícia foi o desfecho de uma investigação realizada em sigilo nos últimos quatro meses com o objetivo de desarticular a cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que atua nos presídios de São Paulo. "Nosso objetivo com essa operação foi desmantelar o PCC", afirmou o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu. Por meio de grampo telefônico, a polícia obteve informações importantes, que permitiram o esclarecimento de crimes e a compreensão do organograma do partido.A Polícia Civil prendeu, durante as investigações, 18 homens e mulheres, entre os quais três advogados, identificou 41 chefes da facção criminosa e desativou 32 centrais telefônicas. A Polícia Militar revistou simultaneamente 15 prisões, apreendeu 159 telefones celulares, 98 papelotes de cocaína, 309 trouxinhas de maconha, 12 pedras de crack, 498 estiletes e 44 facas.O governo do Estado decidiu transferir 25 chefões do PCC para o recém-inaugurado Centro de Reabilitação Penitenciária (CRP) de Presidente Bernandes, o primeiro presídio de segurança máxima que dispõe de bloqueador de aparelhos de telefone celular. A transferência será feita num avião da Força Aérea Brasileira (FAB).Entre eles estão os homens do primeiro escalão do partido, Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, César Augusto Roris, o Cesinha, e José Márcio Felício, o Geleião. Para lá também será enviado Anselmo Neves Maia, de 57, advogado do PCC e candidato a deputado federal pelo PMN. Maia foi preso hoje de manhã, em seu apartamento, na Vila Prudente, na zona leste de SP, após a Justiça decretar sua prisão temporária por 15 dias.Telefone celularA grande arma da investigação da polícia foi a mesma que fez a força do PCC: o telefone celular. Com autorização judicial, o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), por meio da Divisão de Investigações de Crimes Contra o Patrimônio, grampeou mais de cem telefones de bandidos, advogados, familiares e amigos dos presos suspeitos de envolvimento nos crimes.O retrato traçado pelas 470 horas de gravação demonstrou que o PCC contava com três advogados que, no entender da polícia, extrapolaram sua função e se tornaram cúmplices. Por isso, estão sendo acusados de formação de quadrilha. Além dessa acusação, Maia é suspeito de ter levado a ordem dada pela cúpula da organização para que o agente penitenciário Ronaldo Cain Zedan fosse morto. O ataque ocorreu em 11 de abril. Zedan levou três titos, mas sobreviveu.O advogado é suspeito ainda de envolvimento no ataque a uma delegacia de Sumaré, que terminou na morte de dois policiais civis. "Meu pai é inocente. Vamos pedir indenização na Justiça pelo que está sendo feito com ele", disse o estudante Plínio Marcos Neves Maia, de 27 anos.Já a advogada Leyla Maria Alambert deve ser acusada de participar de um seqüestro feito pelo PCC na Baixada Santista. A terceira advogada presa foi Monica Fiore Hernandez. As duas vão ficar no CRP de Taubaté.As conversas gravadas e depoimentos mostram que o partido tem ligações no Rio de Janeiro, pois três dos integrantes da cúpula estão detidos por crimes naquele Estado - eles são conhecidos como Chapolim, Marcelo e Donizete. Há ainda ligações do partido com presos no Paraná, em Mato Grosso do Sul e na Bahia, onde está José Eduardo Moura da Silva, o Bandejão. De lá, da Bahia, Bandejão ordenou, pelo celular, em 3 de abril, a morte de Jefferson Vaz de Lima, ocorrida em uma cela do 20.º Distrito Policial de São Paulo.De acordo com o diretor do Deic, Godofredo Bittencourt Filho, a polícia conseguiu ainda estabelecer a autoria de atentados a bomba contra fóruns e impedir assaltos a bancos. Os policiais tiveram sucesso também na libertação de duas vítimas seqüestradas pela quadrilha do PCC na Baixada Santista, uma das principais do partido, também responsável pelo atentado a bomba e a tiros ao fórum de São Vicente, no qual morreu um advogado, em março.Os principais executores dos seqüestro e do atentado ao fórum foram presos pelo Deic: Marcelo Calixto Costa e Sérgio Luis Fidélis. Parte do dinheiro dos resgates das duas vítimas seria dado a Sandro Henrique da Silva Santos, o Gulu, homem de confiança de Cesinha. Foi de Gulu a ordem para libertar a mulher e o menino. Ação vai continuar segundo diretor do Deic.As mulheres do PCCA polícia descobriu que na cúpula do PCC haviam três mulheres. Elas eram responsáveis por duas funções primordiais para a organização: as contas bancárias e as centrais telefônicas e o contato entre as quadrilhas.A primeira delas é mulher de um dos homens da cúpula do partido, Cesar Augusto Roris, o Cesinha. Aurinete Carlos Gabriel chefiava as duas mulheres que gerenciavam as contas bancárias do PCC. Ela foi presa hoje pelos policiais do Deic.A segunda é Selma Conceição, a Selminha, também ligada a Cesinha e a Sandro Henrique da Silva Santos, o Gulu. Ela é suspeita de envolvimento em tráfico de drogas, seqüestros e é acusada de depositar dinheiro de crimes nas contas bancárias do partido. Selminha foi presa em 14 de abril quando ia visitar presos na penitenciária de Iaras. Ela estava sendo escoltada por nove soldados do PCC, todos detidos pelo Deic.A terceira delas é Givanilda Isabel da Silva, a Carla, detida pelo Deic hoje, em Indaiatuba - o departamento prendeu seis acusados hoje. Ela é apontada como a responsável pelo funcionamento das centrais telefônicas do partido.No organograma do PCC traçado pela polícia, aparece Marcos Willians Camacho, o Marcola, como o número um da organização. Abaixo dele estão Cesinha e José Márcio Felício, o Geleião. No segundo escalão estão o advogado Anselmo Neves Maia; André Batista da Silva, o Andrezão, tesoureiro do PCC; Emerson de Souza Almeida, o General; Gulu; Adilson da Silva Braga, o Nego Diu; Selminha; José Eduardo Moura da Silva, o Bandejão, e Márcio Alves dos Santos, o Carioca.A polícia descobriu que na cúpula do PCC haviam três mulheres. Elas eram responsáveis por duas funções primordiais para a organização: as contas bancárias e as centrais telefônicas e o contato entre as quadrilhas.

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