Ação da PF atinge negócios do PCC

Segundo policiais, 80% da droga era encomendada pelo grupo

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

A Operação Aracne da Polícia Federal deve atingir em cheio os negócios do Primeiro Comando da Capital (PCC). Os federais constataram que 80% da droga despachada de Mato Grosso seguiam para a capital paulista e para municípios da Grande São Paulo. As encomendas partiam de dois integrantes da cúpula do PCC, presos na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. A compra de entorpecentes, principal e mais lucrativa atividade criminosa da organização, tem como coordenadores Marcos Paulo Nunes da Silva, o Vietnã, e Edilson Borges Nogueira, o Biroska.   A estrutura do PCC e a rota da drogaDas 3 toneladas de pasta base de cocaína apreendidas pela PF desde o início do ano, 2,7 mil quilos estavam endereçados ao PCC. "Não temos dúvida de que os traficantes de Mato Grosso são os maiores fornecedores de cocaína para a facção", afirma o delegado Eder Roda Magalhães, que chefiou a operação. "O potencial dessa quadrilha era muito alto." A droga, diz o delegado, vinha em pequenos aviões da Bolívia e era descarregada em cinco fazendas da região de Campo Novo de Parecis, às margens da Rodovia MT-358. De lá, o entorpecente era transportado para São Paulo em carregamentos de 400 a 500 quilos em caminhões.Em Embu-Guaçu, em São Paulo, os agentes federais detiveram um homem acusado de participar do esquema de lavagem de dinheiro do tráfico. Em sua casa foram apreendidos US$ 1,5 mil e dois carros - uma Montana e um Scénic. Foram também cumpridos mandados de busca em Santa Fé do Sul e em São José dos Campos.No começo deste ano, o PCC enviou dois representantes para a Bolívia a fim de acertar a entrega de mais de uma tonelada de cocaína por mês, além de "canetas" (fuzis) de US$ 4 mil, US$ 5 mil e US$ 6 mil e explosivos para atentados. A responsabilidade pelo transporte da droga era dos bolivianos. A facção pagaria frete pelo transporte de cada peça (quilo de droga) até São Paulo.O acerto com os bolivianos foi descrito por Wagner Roberto Raposo Olzon, o Fusca. Um dos representantes enviados pela "família" (facção), Fusca fez um relatório para a cúpula da facção. O documento foi apreendido pela Polícia Federal em 28 de fevereiro, quando Fusca foi preso com a contabilidade da facção, dois quilos de cocaína e R$ 674 mil, na Vila Maria, zona norte de São Paulo.O contato de Olzon em Puerto Quijaro, cidade boliviana na fronteira com o Brasil, era o traficante Dom Eduardo, um dos chefes do cartel da droga naquele País. Com Dom Eduardo, a "família"acertou o envio de 50 a 70 quilos de cocaína por mês. Cada "peça" teria o preço de US$ 2 mil fora o frete de US$ 1,5 mil. No entanto, foi em Santa Cruz de la Sierra, com o boliviano conhecido como Willian e um paraguaio chamado Capilo, que o principal trato foi feito.Ali, Fusca acertou, ao preço de US$ 5 mil o quilo, a remessa a São Paulo de uma tonelada de cocaína. Também encomendou fuzis e explosivos. Na casa de Willian, o homem do PCC manteve um encontro com um representante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A queda do relatório nas mãos da PF fez com que o Fusca fosse excluído da facção - ele pediu proteção na cadeia para evitar ser assassinado.BOMBOMO contato entre a "família" e o cartel boliviano foi feito por meio de um homem conhecido como John. Segundo o relatório de Fusca, John é "amigo do Bombom". Durante meses a PF e a Inteligência da Polícia Militar paulista tentaram identificar Bombom, o que só foi possível recentemente. Trata-se de Alessandro Barbosa Mariano. Ele foi preso na semana passada por policiais do Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil de São Paulo, em seu apartamento na Praia Grande.Os policiais não sabiam que Mariano era Bombom. Ele teria assumido a responsabilidade pela distribuição da droga importada pela cúpula do PCC e planejava o ataque a uma delegacia da Grande São Paulo, cujos policiais teriam achacado integrantes da cúpula da organização. Além de fuzis, o grupo contaria em seu arsenal com explosivos, metralhadoras de calibre 30 e até lança-granadas - material que não foi achado pelos investigadores do Denarc.

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