Ação da polícia na Maré deixa quatro mortos

Adolescente é uma das vítimas; agentes e moradores têm versões diferentes para o conflito

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

Uma incursão da Coordenadoria de Operações Especiais (Core), grupo de elite da Polícia Civil, na Favela Parque União, no Complexo da Maré (zona norte), na madrugada de ontem, resultou na morte de quatro pessoas, entre elas uma adolescente de 14 anos, e deixou sete feridos, entre os quais um menor e dois policiais. Nenhum dos mortos era investigado por tráfico. Moradores e a polícia têm versões diferentes para o tiroteio que fechou a Linha Vermelha, uma das principais vias expressas do Rio, por cerca de 15 minutos, deixou a favela sem luz e os moradores em pânico. Além de Larissa de Lima Félix, de 14 anos, morreram o emplacador do Detran Jhony Isaías Barbosa, de 18 anos, o motoboy Jackson Martins Campos, de 20 anos, e o entregador João Rodrigo de Silva de Paula, de 25 anos. De acordo com o delegado-titular da 21ª Delegacia de Polícia de Bonsucesso, Roberto Ramos, policiais da Core em patrulhamento na Avenida Brasil foram alertados por um taxista sobre um tiroteio no Parque União e foram até a favela onde foram recebidos a tiros. "Houve um tiroteio intenso. Recolhemos projéteis de diversos calibres e vários pinos de granada. Já sabemos que alguns dos tiros foram disparados de cima para baixo e isso indica que havia pessoas armadas nas lajes das casas", afirmou o delegado. Após quatro horas de perícia na favela, a pedido dos moradores, Ramos concluiu que os mortos e feridos foram vítimas da intensa troca de tiros. Segundo ele, as armas dos policiais da Core foram apreendidas e os agentes serão ouvidos. A Core informou que apreendeu um fuzil, uma metralhadora e duas pistolas. Os agentes teriam encontrado ainda maconha e cocaína, mas o material não foi apresentado na 21ª DP que investiga o caso. Após a retirada dos corpos, uma granada encontrada foi detonada pelo Esquadrão Antibombas.Os sobreviventes contam uma versão diferente. "Estávamos na praça que fica abaixo da Linha Vermelha. Vimos um Peugeot parado na via expressa e fomos perguntar se o motorista precisava de ajuda. Dois homens saltaram e dispararam em nossa direção. Nos escondemos no bar. Vinte minutos depois saímos. Tudo estava calmo e entraram as viaturas da polícia atirando", disse o menor E.F., de 16 anos. Ele afirmou que os traficantes atiraram apenas quando souberam que moradores foram baleados pela polícia. É a segunda morte de uma criança na favela este mês.

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