Ação deixa 3 mortos na Rocinha

Em repreensão ao tráfico, operação estourou 2 refinarias de cocaína

Pedro Dantas, Talita Figueiredo e Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

26 de março de 2009 | 00h00

Uma operação com 250 agentes da Polícia Civil na favela da Rocinha, em São Conrado, na zona sul do Rio, deixou ontem três homens acusados de serem traficantes mortos, apreendeu uma tonelada de maconha e estourou dois laboratórios de refino de cocaína. A ação policial foi uma represália à tentativa de invasão dos traficantes locais à favela Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, também na zona sul. Lá, a Polícia Militar matou cinco traficantes. Os tiroteios, que duraram três dias, levaram pânico aos bairros de Copacabana, Lagoa, Humaitá e Jardim Botânico. O alvo da operação era o chefe do tráfico na Rocinha, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, provável mandante da invasão. Ele não foi encontrado. "Se ele pensa que pode sair tocando o terror na zona sul, está enganado. A polícia virá à casa dele até desarticular toda a quadrilha. Voltaremos sempre que necessário", disse o titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), Marcus Vinícius Braga.Os policiais ainda descobriram um depósito com 200 kg de pólvora em cubos e uma oficina para reparo de armas. Seis pessoas foram presas. Dois fuzis, três pistolas e uma granada foram apreendidos. Em uma casa no local conhecido como Valão, agentes apreenderam uma tonelada de maconha em tablete. Em vielas da Rua 2, uma das principais da favela, os policiais estouraram dois laboratórios para refino de cocaína. Os traficantes produziam 200 kg do entorpecente por semana. A droga era vendida na Rocinha e em outras 15 favelas dominadas pela facção Amigos dos Amigos (ADA). Em uma das casas, anotações contábeis na parede apontavam a cifra de R$ 64 mil.O policiamento na Ladeira dos Tabajaras se mantém reforçado. Mais de cem PMs continuam fazendo buscas na mata atrás da favela, à procura de traficantes da Rocinha. Ontem à tarde, homens do 19ª Batalhão da PM (Copacabana) aprenderam pequena quantidade de drogas, mas ninguém foi preso.''MINHOCÃO''Depois de uma batalha de liminares, a prefeitura iniciou ontem a demolição de um prédio de dois andares e 24 apartamentos, conhecido como Minhocão da Rocinha. A proprietária do edifício, Maria Clara dos Santos, não tinha autorização para a construção, que estava embargada desde 2007 e já havia sido multada quatro vezes.No início da tarde, a 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio revogou, por unanimidade, a decisão judicial que proibia a demolição do Minhocão. A relatora do processo, juíza Inês da Trindade Chaves de Melo (substituta de desembargador), argumentou que a obra afronta a legislação municipal de uso e ocupação de solo e que Maria Clara não conseguiu comprovar a propriedade do terreno.

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