Ação do Bope deixa 9 mortos e 7 feridos

?A PM é o melhor remédio contra a dengue, não fica um mosquito em pé?, afirma comandante da PM no Rio

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

16 Abril 2008 | 00h00

Nove supostos criminosos morreram, 7 moradores ficaram feridos e 14 homens foram presos na ocupação policial feita pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope), ontem, na Favela Vila Cruzeiro, na Penha, zona norte do Rio. O objetivo da operação, que não tem prazo para terminar, é cumprir 15 mandados de prisão e desobstruir os acessos à favela, que ainda se encontram com trilhos de trem colocados por traficantes. O resultado da operação foi comemorado pela cúpula da Segurança Pública com uma frase polêmica: "A PM é o melhor remédio contra a dengue. Não fica um mosquito em pé. É o SBPM . O melhor inseticida social", declarou o comandante do Policiamento da Capital, coronel Marcus Jardim, numa alusão ao inseticida SBP. Jardim chefiava o 16º Batalhão da Polícia Militar (Olaria), responsável pela região da Vila Cruzeiro. A ação policial começou às 9 horas com a entrada de cem homens do Bope por vários acessos da Vila Cruzeiro. "Tomamos a favela em cinco minutos. Agora vamos estabilizar a situação", disse o comandante do Bope, coronel Alberto Pinheiro Neto. No entanto, durante toda a manhã e tarde houve intensa troca de tiros entre policiais e traficantes. A primeira morte ocorreu em confronto com o Bope na Favela de Merindiba, vizinha de Vila Cruzeiro. Em seguida, o tiroteio se alastrou por várias favelas da região. Homens de diversos batalhões reforçaram o patrulhamento em torno das favelas. O comércio ficou parcialmente fechado desde a chegada da polícia. O Bope realizou quatro detonações das 15 barreiras colocadas por traficantes para impedir o acesso da polícia e de quadrilhas rivais. "Moradores se queixavam ao disque-denúncia de que eram obrigados a retirar a barreira, passar com seus veículos, e depois recolocar os obstáculos no lugar", disse o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame. Segundo ele, os obstáculos também impediam a entrada de serviços públicos - incluindo agentes de saúde que combatem a epidemia da dengue. No fim da manhã, por causa do intenso tiroteio, sete escolas municipais suspenderam as aulas do turno da tarde e deixaram pelo menos 3 mil alunos sem aulas. Os moradores feridos começaram a dar entrada no Hospital Getúlio Vargas no fim da manhã. Desesperado com um tiro no abdome e braço direito, Marcelo Pinheiro da Costa, de 37 anos, procurou a tenda de hidratação montada pelo governo estadual, na Penha, em busca de socorro médico. Ele foi removido para o Getúlio Vargas. Em seguida, chegaram ao hospital Alessandro Alves da Cunha, de 17 anos, com tiro na barriga, Fabiano de Paula dos Santos, de 20, com tiro no braço, Daniel Assunção de Souza Cardoso, de 14, com tiro no pé, e Oswaldo Batista dos Santos, de 55 anos, baleado nas costas, que permaneceu internado em estado grave. Outro ferido foi Marcelo de Oliveira Borges, de 35 anos, com tiro de raspão no glúteo, que foi logo liberado. No fim da tarde, 14 homens desarmados foram surpreendidos por uma guarnição do Bope, escondidos no depósito do Supermercado Intercontinental, que fica num dos acessos à Vila Cruzeiro. Todos foram presos, entre eles dois traficantes com mandados de prisão. Eliezer Miranda e um rapaz identificado como Chininha, que é acusado de envolvimento na morte do cabo do Bope Wilson Santana, em 2007, na mesma favela. O acusado estava ensangüentado e tinha ferimento na cabeça. Vários outros detidos apresentaram hematomas e olhos inchados. A polícia apreendeu uma metralhadora antiaérea .30, cinco pistolas 9 milímetros, uma submetralhadora, uma espingarda calibre 12 e cinco granadas, uma delas de fabricação caseira.

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