Ação do Exército no Rio não depende de verba, diz Viegas

A atuação do Exército no combate ao crime organizado no Rio não dependerá da liberação de recursos, estimados em R$ 10 milhões, só para começar a operação. A afirmação é do ministro da Defesa, José Viegas. "Temos meios de agir enquanto o dinheiro não é liberado", disse o ministro, que não adiantou detalhes sobre a movimentação das tropas, nem qual o efetivo que será mobilizado. "Ficará em torno de poucos milhares de homens. Tudo será decidido na segunda-feira, mas é preciso lembrar que o problema do Rio não é militar e depende de uma atuação conjunta dos governos federal e estadual."Viegas se referia à reunião que terá amanhã com a governadora do Rio, Rosinha Mateus, da qual participarão também os ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e da Articulação Política, Aldo Rebelo. Ele lembrou que há requisitos jurídicos e legais a serem cumpridos. "A função do Exército é de guerra e não de polícia, mas é preciso obedecer à instrução do presidente da República", explicou. Segundo o ministro, a reunião definirá também a divisão de tarefas entre os militares e as polícias Civil, Militar e Federal.Ele não comentou o alerta da Associação de Cabos e Sargentos do Exército para o perigo de enfrentarem quadrilhas armadas sem respaldo jurídico para atuar como polícia. As declarações foram dadas pelo ministro ontem, no Aterro do Flamengo, onde participou da solenidade em comemoração ao Dia da Vitória (pelos 59 anos da rendição da Alemanha nazista, ao fim da Segunda Guerra Mundial). O deputado Jair Bolsanaro (PPB-RJ), que é coronel da reserva e estava próximo à cerimônia numa manifestação de esposas de militares por melhores salários, explicou que sub-oficiais não podem portar arma fora de serviço e, por isso, correm risco de vida. "Eles já estão fora de sua função, que é aniquilar o inimigo. Ao voltar para casa, depois de prender pessoas e apreender drogas ou mesmo matar, não terão como se defender dos bandidos que certamente vão querer revidar", ressaltou o deputado. "Dessa forma, mandá-los combater o crime organizado é condená-los à morte."Viegas voltou a Brasília após a cerimônia, mas o comandante do Exército, general Francisco Albuquerque, ficou no Rio para visitar a Brigada de Infantaria Pára-quedista, na Vila Militar, em Deodoro, na zona norte. Esta tropa deve ser a primeira a entrar em ação, assim que for definida como será a colaboração das Forças Armadas com as polícias do Rio.

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