Ação do MPF previu a tragédia em texto

Processo de 2006 alerta sobre perigo de falta de área de escape

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

21 Julho 2007 | 00h00

Numa premonição involuntária, em 24 de janeiro deste ano, quando encaminharam à Justiça o pedido de interdição da pista principal do Aeroporto de Congonhas, os procuradores Fernanda Teixeira Taubemblatt e Mário Schusterschitz da Silva Araújo não poderiam imaginar que o texto da ação civil pública antecipava uma tragédia. Ao descrever os riscos da pista principal, na página 15, os representantes do Ministério Público Federal pareciam adivinhar o futuro.''''Considerando, ainda, a inexistência das áreas de escape no aeroporto, a possibilidade de que uma dessas aeronaves deslize para fora do aeroporto, atingindo uma das avenidas que o circundam, é realmente palpável.'''' Foi o que aconteceu com o Airbus A320 da TAM na terça-feira.Na época, os procuradores não conseguiram a interdição da pista. O pedido foi negado pela Justiça Federal e pelo Tribunal Regional Federal. Mas não desistem. Anteontem, depois do pior acidente aéreo da história do País, voltaram a pedir a interdição até que seja atestada a segurança para pouso e decolagem nas pistas.Em janeiro, quando a pista ainda não tinha passado pelas obras, que duraram de maio ao fim de junho, os procuradores fizeram um relato dos riscos da pista principal. ''''O deslizamento das aeronaves é gravíssimo, pois retira do piloto o controle da aeronave, podendo ensejar acidente pela impossibilidade de frenagem da mesma'''', alertaram os procuradores Fernanda e Araújo.Outro ponto que chama atenção na ação civil pública de janeiro é a defesa da Infraero, a estatal que administra os aeroportos, ao responder aos questionamentos do Ministério Público, no fim de 2006. A empresa dizia que os problemas de escoamento de água na pista principal indicavam ''''como solução definitiva a realização de uma obra de recuperação geométrica de toda a pista, com a correção das declividades, transversais e longitudinais, e a execução de uma nova capa asfáltica grooving, de forma a elevar as condições de segurança operacional da pista''''. A obra, de fato, foi feita, mas a pista voltou a funcionar sem as ranhuras da capa asfáltica grooving citada pela Infraero. ''''O risco de que uma dessas aeronaves deslize para fora da pista (...) é realmente palpável''''Fernanda e AraújoProcuradores

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