Ação errática de Dilma agravou relação

O ex-ministro Nelson Jobim quebrou todos os parâmetros de hierarquia com suas declarações e foi obrigado a deixar o cargo na pior das condições: com a presidente Dilma Rousseff aconselhando-o, numa dura conversa telefônica, a escolher entre sair ou ser saído. Nessas condições, a presidente ficou com todas as razões e Jobim sem razão nenhuma.

Rui Nogueira, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2011 | 00h00

Fora dessa circunstância, porém, olhando toda a convivência com a ex-chefe da Casa Civil, no governo Lula, e, de janeiro para cá, com a chefe da República, o peemedebista havia acumulado um passivo considerável de trombadas à medida que Dilma demonstra apreço pelo zigue-zague, mudando de opinião em assuntos caros a Jobim.

O caso mais exemplar, e que irritou profundamente Jobim, é o das privatizações dos aeroportos. Não havia, no segundo mandato do governo Lula, nenhum dúvida de que o Brasil não tinha condição de aprontar com o dinheiro exclusivamente da Infraero os grandes aeroportos da Copa de 2014.

Jobim foi autorizado a estudar, com a ajuda do BNDES e da própria Infraero, as soluções possíveis. Eram cabais as provas de que o governo precisava atrair capital privado, precisava concessionar, privatizar, qualquer solução que não fosse a adotada.

Na função de "primeira-ministra" do governo Lula e pré-candidata, Dilma afastou toda e qualquer discussão sobre desestatização para que isso não atrapalhasse o discurso eleitoral.

Depois, com atraso, no sexto mês de governo, a presidente anunciou a privatização dos aeroportos de Brasília (DF), Viracopos (SP) e Cumbica (SP).

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