Fernando Priamo/Tribuna de Minas – 19/10/2018
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Ação em Juiz de Fora foi golpe que não deu certo, diz polícia

Segundo delegado de Juiz de Fora responsável por investigação de tiroteio entre policiais, empresário já foi preso 2 vezes por estelionato

Bruno Ribeiro, enviado especial de O Estado de S. Paulo a Juiz de Fora

25 de outubro de 2018 | 04h00

JUIZ DE FORA - A principal linha de investigação da Polícia Civil de Minas Gerais sobre o tiroteio entre policiais civis paulistas e mineiros em Juiz de Fora, na sexta-feira passada, aponta para uma ação de estelionato que não deu certo. O confronto deixou um policial mineiro morto e dois empresários feridos. Quatro agentes paulistas foram presos e R$ 14 milhões, apreendidos - parte do dinheiro seria falso.

“É golpe”, afirmou ao Estado o delegado Armando Avólio Neto, encarregado do caso, ao ser questionado se haveria possibilidade de o dinheiro ter relação com pagamento de caixa 2 a campanhas eleitorais. Segundo as investigações, o empresário Antonio Vilela, que seria o dono do dinheiro falso e se apresentaria como Antonio Vasconcelos, já foi preso em 2009, em Minas, e em 2015, em São Roque, no interior de São Paulo, por tentar passar para frente, nas duas ocasiões, cédulas falsificadas. 

As investigações apontam que o empresário paulista Flávio de Souza Guimarães teria ido a Juiz de Fora trocar dólares por reais. Para isso, teria contratado uma empresa de segurança, que chamou policiais civis para fazer a escolta. Na outra ponta da negociação estaria Antonio Vilela, que levaria os reais e também teria contratado policiais para apoiá-lo. A troca de tiros supostamente aconteceu após a descoberta de que haveria reais falsos nas malas, no estacionamento de um hospital. 

Quatro policiais civis paulistas estão presos preventivamente em Belo Horizonte: os investigadores Eduardo Alberto Modolo Filho e Caio Augusto Freitas Ferreira de Lira e os delegados Bruno Martins Magalhães e Rodrigo Castro Salgado da Costa, do Grupo de Operações Especiais (GOE). Todos negam terem sido autores dos disparos que mataram o policial mineiro Rodrigo Francisco, de 37 anos. 

O advogado dos paulistas, Leonardo Pantaleão, diz que seus clientes estavam em Minas para fazer um serviço extraoficial, o chamado bico, o que configura infração administrativa. “Mas nenhum deles efetuou nenhum disparo de arma.” Segundo Pantaleão, os policiais foram contratados pelo empresário Jerônimo da Silva Leal Júnior, dono de uma empresa de segurança, para escoltar um empresário que “faria um negócio” em Juiz de Fora. Leal Júnior foi baleado e está internado em estado grave.

Transferência

As Secretarias da Segurança Pública de São Paulo e de Minas negociam uma possível transferência dos policiais civis presos de Belo Horizonte para a capital paulista. O secretário Mágino Alves, de São Paulo, disse que enviou ofício ao colega informando que, se houver necessidade, o presídio específico para policiais poderia recebê-los. O secretário Sérgio Barbosa Menezes, de Minas, afirmou que o “pedido de São Paulo está sendo analisado”. “No ofício, a polícia (paulista) se compromete a apresentar os presos em todos os atos do processo”, disse Menezes. 

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