Ação na cracolândia prevê internação

Estado e Prefeitura prometem iniciar hoje operação saturação; viciados serão levados para avaliação psiquiátrica

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

22 Julho 2009 | 00h00

O governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo prometem iniciar hoje, a partir das 9 horas, uma operação inédita na região conhecida como cracolândia, no centro velho de São Paulo. Somada à saturação de policiais civis e militares na área, haverá um encaminhamento de viciados para tratamento psiquiátrico. Os detalhes da operação não foram divulgados. O comando do 13º Batalhão da Polícia Militar confirmou ao Estado o início hoje da operação saturação. A Secretaria Municipal da Saúde informou que o secretário Januário Montone também vai acompanhar a ocupação das ruas e a abordagem dos jovens dependentes desde o início da manhã. Diferentemente de outras ações na região, quando os viciados eram levados para abrigos municipais para tomar banho e voltavam às ruas horas depois, dessa vez haverá a possibilidade de internação na rede municipal. Mas a internação só poderá ocorrer se o dependente, ao passar por alguma das 55 unidades do Caps (Centros de Atenção Psicossocial), for diagnosticado com problema mental grave. A internação psiquiátrica involuntária está prevista no artigo 6º da Lei Federal 10.216, de 6 de abril de 2001, e deve ser comunicada em 72 horas ao Ministério Público Estadual. Uma das autoridades municipais envolvidas na operação, que pediu sigilo do nome, negou que o procedimento seja uma internação compulsória (forçada e sem autorização do paciente). Outras secretarias municipais e do Estado vão acompanhar a abordagem. À Secretaria Municipal de Assistência Social, por exemplo, caberá dar apoio a migrantes e dependentes que queiram voltar para as cidades de origem. Serão concedidas passagens de ônibus de graça para esses casos. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) vai ajudar com bloqueios nas principais esquinas. A saturação não vai estar limitada aos 362 mil metros quadrados do perímetro da Nova Luz, área que será revitalizada por meio de concessão à iniciativa privada. A recuperação da região é a principal bandeira do segundo mandato do prefeito Gilberto Kassab (DEM). A intervenção começou em 2005, quando o prefeito ainda era o atual governador José Serra (PSDB). Por enquanto, a área segue ocupada por viciados que já transitam em outros bairros da região central, como Santa Cecília e Barra Funda. ANHANGABAÚ Segundo apurou a reportagem, a operação será estendida para outros pontos do centro onde existe o consumo de drogas, como as Praças da República e Julio de Mesquita e o Vale do Anhangabaú. A saturação do centro deve durar mais que os três meses médios da operação, realizada nos últimos dois anos em Paraisópolis, na zona sul, e no Jardim Elisa Maria, na zona norte da capital. COLABOROU MARICI CAPITELLI

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.