Acessórios ganham espaço na SPFW

Bolsas e cintos se transformaram em ótimo negócio para as grifes

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2009 | 00h00

Os acessórios ganham cada vez mais destaque nos desfiles da São Paulo Fashion Week. Primeiro porque bolsas, cintos e sapatos, entre outros, acentuam o estilo das roupas. Segundo, é um bom negócio. Significam para as marcas mais itens nas prateleiras das lojas e também são mais fáceis de serem vendidos do que as roupas, pois independem do peso e do tamanho do pretenso comprador.Não por outro motivo, as grifes hoje possuem estilistas da coleção e um só de acessórios. "É mais uma forma de colocar nossa marca na rua e aumentar a possibilidade de compra do cliente dentro da loja", diz Rony Meisler, diretor criativo da Reserva, famosa marca carioca que mais chamou atenção hoje com mochilas, sacos e malas na passarela.Além da estilista de acessórios, Ana Andrade, responsável pelo desenvolvimento das bolsas, a marca convidou dois artistas plásticos para trabalhar em outros itens. Alander Specie ficou responsável pelos cintos de fios de nylon colorido, em macramé, uma técnica de trançar o material. Já Gabriela Ricca foi incumbida das bijuterias, como os quipás de influência afro. "Hoje, os acessórios representam 3% das minhas vendas, mas posso chegar a 7%. Não consigo aumentar mais porque falta espaço nas lojas, que têm apenas 40 metros quadrados", diz Meisler. Como as grifes internacionais entraram antes nesse negócio, hoje faturam alto. "Gucci e Louis Vuitton garantem 70% de seu faturamento com a venda de acessórios", diz a consultora de moda Costanza Pascolato. Mas no Brasil a maioria das grifes terceiriza o trabalho. Perde-se no lucro, mas o acessório pode virar uma grande atração. Marcelo Sommer investiu numa parceria com a Melissa para criar um sapato especial para sua coleção. Trata-se de um tamanco holandês bem estilizado. Ao contrário do modelo original, tem salto fino de aproximadamente 10 centímetros com meia pata na frente. De longe parece de verniz, mas é de um plástico especial. O tamanco dá um ar extravagante a qualquer roupa, diferente, por exemplo, de um tênis, que dá uma cara mais casual ao visual. BOTA-MEIANa terça-feira, os colares de placas prateadas da Iódice deram ar futurista às roupas.Um dia antes, Lino Villaventura conferiu ainda mais sofisticação aos vestidos pretos esvoaçantes ao escolher para as modelos colares de cristal Swarovski, que formavam uma teia no pescoço. Ontem, a UMA deu uma certa jovialidade às roupas da coleção, com botas que, de tão pesadas, pareciam coturnos.E, como inverno tem tudo a ver com botas, elas apareceram nesta temporada de moda de todos os formatos, cores e estilos. Alexandre Herchcovitch acentuou a sensualidade das modelos com a bota-meia, aquelas que apareceram com força na temporada passada, com canos longos até o meio da coxa. Já a Ellus preferiu a androginia de botas pesadas e resistentes, ideais para quem tem de enfrentar as calçadas. E a Maria Bonita partiu para modelos com saltos finos e baixos.ANDRÉ LIMA - Entre tules, plissados, babados, sedas e cetins, André Lima escolhe tudo. É uma coleção que não teme a crise, abusa do excesso de tecido e acredita nos volumes.MARIA BONITA - Inspirada na estética do circo, a estilista Danielle Jensen propôs inúmeras versões de macacões de silhuetas amplas. Os blazers são longos e soltos no corpo. Entre as cores, preto e cinza.UMA POR RAQUEL DAVIDOWICZ - Fez uma coleção esportiva e elegante. Maxigolas, maxilapelas, cachecóis de tricô e botas em evidência.RESERVA - A grife carioca misturou elementos da cultura judaica com a africana. Chama a atenção o uso de quipás e tsitsits como acessórios de moda.SIMONE NUNES - Mostrou uma estamparia colorida, com coqueiros, tucanos, araras e cajus, em shorts e vestidos de tecidos leves.SAMUEL CIRNANSCK - Fez o desfile mais cenográfico desta temporada até agora. Transformou a passarela num Jardim do Éden, com árvores secas, neve, noiva de preto, princesas russas e bailarinas. No final, houve uma nevasca. Do teto, flocos de espuma caíam sobre as modelos.

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