''Achados'' do Bom Retiro invadem os Jardins

Confecções do comércio popular abrem lojas em região nobre

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

18 de novembro de 2008 | 00h00

Sem o luxo da Rua Oscar Freire, a Pamplona, também nos Jardins, zona sul, está virando uma região de achados em moda feminina. De dois anos para cá, algumas confecções do Bom Retiro, maior shopping a céu aberto de São Paulo, na região central, começaram a abrir lojas ali, entre a Avenida Paulista e a Alameda Lorena, e mantêm o mesmo preço da matriz. Vendem desde roupa bem jovem e descontraída - como vestidões, tops e moda praia - até peças mais tradicionais, para usar no trabalho. Encravado num grande centro comercial, o novo tipo de comércio conquista principalmente clientes que não têm tempo de bater perna no Bom Retiro e estão interessados no chamado custo-benefício, ou seja, qualidade e preço. Especializada em moda jovem, a Triângulo, uma das cinco confecções do Bom Retiro na região, ganhou fama no pedaço ao dar 50% de desconto para quem compra mais de três peças, que podem ser variadas. "Viemos para cá para dar mais visibilidade à marca e atrair um novo tipo de cliente", diz Beto Barone, gerente de Produtos e Estilo da confecção. "O Bom Retiro vende mais, mas os resultados da Pamplona sobem a cada coleção."A rua tem um comércio diversificado. Oferece duas grandes redes de supermercados, restaurantes, docerias, bancos e cabeleireiros. "É prático comprar na região", diz a publicitária Nette Cabral, cliente da Líquido, uma de suas confecções preferidas, que também veio do Bom Retiro. A marca trabalha com uma linha esportiva e de moda praia, com mais de cem modelos de biquínis. Confecção com modelagem mais executiva, a concorrente Collins já abriu na rua duas lojas voltadas ao varejo. "As pessoas não têm mais paciência para enfrentar o trânsito de São Paulo. Por isso, hoje, somos nós que vamos atrás de nossos clientes", diz Luciane Muruzaki, gerente de Marketing. Mas não é só isso. A Rua Pamplona acena com aluguéis atraentes, principalmente por estar nos Jardins. "Ali um lojista paga de R$ 40 a R$ 50 pelo metro quadrado, enquanto na Alameda Santos, por exemplo, custa de R$ 75 a R$ 90", diz Kátia Raucci, sócia da Valentina Caran Imóveis. ESTRATÉGIAHá 40 anos no Bom Retiro, Alberto Savoia, dono da Sagena, diz que é muito ruim para o comerciante vender atacado e varejo na mesma loja. "O cliente atacadista não gosta de ver que estamos repassando uma roupa no varejo com preços mais em conta do que ele pretende cobrar no seu ponto-de-venda." Savoia optou por não sair do Bom Retiro, mas só vende atacado. "Aqui no bairro é difícil conseguir uma segunda loja. Quando tem, custa uma fortuna." Os aluguéis no Bom Retiro e no Brás giram em torno de R$ 120 a R$ 150 por metro quadrado, preço comparável ao de pontos nobres como as Avenidas Faria Lima e Paulista. O Bom Retiro só perde para a Oscar Freire, nos Jardins, onde o aluguel pode chegar a R$ 300 o m².

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