Acidente com 14 veículos mata 1 e deixa 30 feridos na Imigrantes

Engavetamento ocorreu após motorista de carreta parar na pista por causa de nevoeiro; 4 pessoas em estado grave permaneciam internadas em hospitais do ABC paulista

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

15 Agosto 2009 | 00h00

Um engavetamento com 14 veículos na Rodovia dos Imigrantes, em São Bernardo do Campo, deixou 1 pessoa morta e outras 30 feridas no início da manhã de ontem. Um forte nevoeiro provocou o acidente na altura do km 34, na pista sentido capital, por volta das 7h30. Até as 19 horas de ontem, 4 pessoas permaneciam internadas em estado grave em hospitais do ABC paulista. Por causa da pouca visibilidade, o motorista de uma carreta de transporte de gesso vinda de Cubatão parou na pista, com faróis apagados. A polícia disse acreditar que o motor tenha parado com a freada. Em seguida, um Veículo Urbano de Carga (VUC) Hyundai H 100, da empresa Moveltec, de Santos, colidiu contra a carreta. Um dos três ocupantes, o montador de móveis José Espíndola, de 37 anos, morreu no local. Ao todo, envolveram-se no acidente 3 carretas, 1 caminhão baú, 8 carros, 1 moto e 1 ônibus. Carlos Campos, que também ocupava o VUC, foi levado em estado grave para o Hospital das Clínicas, na capital, pelo helicóptero Águia, da Polícia Militar. O motorista do VUC, Adelson Santos, de 41 anos, teve ferimentos leves na cabeça e na mão esquerda. "Quando terminou o acidente parecia que tinha sido um terremoto, um carro em cima do outro na pista. Não dava para frear. Estava tudo branco", contou. Eles seguiam de Santos para Campinas, para fazer entrega de móveis de escritório e informática. Outro sobrevivente foi o cabo da PM Ambiental Roberto Santos, condutor da moto - terceiro veículo envolvido no acidente. Ao ouvir o barulho da primeira colisão, parou a moto, deixou-a na pista e correu para o acostamento. Dali, viu os carros se engavetarem, um atrás do outro - segundo Santos, o acidente durou 15 segundos, da primeira à última colisão. "Vi tudo com as mãos na cabeça", contou. Sua moto, uma Yamaha Fazer azul, foi arrastada por um ônibus da Rápido Brasil - quarto veículo envolvido -, e prensada entre a carreta e o VUC. "Meu santo é forte, nasci de novo", disse Santos, no posto da Polícia Rodoviária Estadual próximo ao km 28 da rodovia. No ônibus, os passageiros em desespero queriam deixar o veículo, mas foram impedidos por um PM, que temia mais acidentes. O motorista do coletivo, Valdeci da Silva, de 51 anos, e uma senhora, passageira de um dos carros, foram socorridos pelo Águia e levados para o HC. "Vi quatro pessoas deitadas na pista, à espera de atendimento", contou Santos. O Águia desceu três vezes na Imigrantes. Após o acidente, Odair Meirelis, de 39 anos, motorista da carreta de gesso que parou na pista, se defendeu, dizendo que "acompanhava o trânsito". "Minha carreta parou porque os carros da frente também pararam. Mas agora ninguém lembra deles, porque não se envolveram no acidente", disse, no pátio de apreensões da Ecovias. "Lamento tudo isso, mas não fui o culpado. O carro de trás é que me atingiu. A neblina era forte demais, faz 5 anos que faço essa rota e nunca havia visto algo assim." Ele também negou que o motor tenha falhado. "Não sei de onde tiraram isso." Sete carros dos bombeiros prestaram socorro às vítimas. As quatro pistas, no sentido capital, ficaram bloqueadas e foram liberadas para tráfego somente às 11h30. Mesmo após a liberação, houve lentidão de 3 quilômetros perto da praça de pedágio. Nesse horário, no sentido contrário, ocorreu outra colisão. Dois carros se chocaram, deixando três pessoas levemente feridas. A concessionária Ecovias informou que a formação de neblina teria sido pontual, em extensão de 30 metros, incluindo a altura em que ocorreu o engavetamento, numa área mais baixa da pista. Com boa visibilidade na maior parte da pista, a Ecovias não realizou operação comboio. COLABORARAM BRUNA RIBEIRO, CAMILA HADDAD e NAIANA OSCAR

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