Acidente com estudantes pode alterar traçado de estrada

O prefeito de Rifaina, a 470 quilômetros de São Paulo, Hernani Jorge Ticly (PSDB), espera que o governo estadual tome alguma providência para que novos acidentes sejam evitados no km 459 da Rodovia Cândido Portinari. No local, no dia 8, um ônibus da Sacratur, sem freios, saiu da pista, capotou numa ribanceira e provocou 20 mortes, sendo 19 de estudantes universitários de Sacramento (MG), que retornavam de Franca, e o motorista. Os moradores da cidade também pedem mais segurança na estrada. "Pedi, pessoalmente e em ofício, uma solução imediata para o caso, mas não especifiquei o que poderia ser feito", diz o prefeito Ticly. Segundo ele, no dia seguinte à tragédia, dois representantes do governo estiveram na cidade e no próprio local do acidente. "Eles viram a situação dos destroços do ônibus de perto", lembra Ticly. Na terça-feira, ele esteve na Casa Civil do Estado de São Paulo, reforçando o pedido de providências, pois o trecho, não privatizado, é administrado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). A Assessoria de Imprensa do DER, em São Paulo, informou que fiscais estiveram no local nos últimos dias para avaliar sinalizações e condições do pavimento. A "curva da morte", como ficou conhecido o trecho mais perigoso da Rodovia Cândido Portinari, já registoru mais de 70 mortes nos últimos dez anos por causa do declive acentuado. A curva fica entre Pedregulho e Rifaina. O bancário José Paulo Comodaro, que tem um filho de 18 anos que viaja diariamente para estudar, está organizando um abaixo-assinado para enviar ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e já fez protestos na rodovia e na cidade. "O dono da área, onde está a curva, doa o local, sem indenização, para mudança de trajeto da rodovia", disse Comodaro, que, quando estudante, viajou até Franca durante cinco anos e sabe do perigo da curva. O estudante Wagner Valdir de Oliveira, de 21 anos, o primeiro a sair do ônibus da Sacratur com vida e pedir socorro, disse hoje que seus amigos devem voltar às somente no segunda-feira. "As pessoas procuram esquecer o que aconteceu", diz Oliveira. Segundo ele, alguns devem voltar a estudar somente no segundo semestre.

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