Acidente de avião na BA mata 11

Queda de bimotor ocorreu pouco antes do pouso em pista de complexo turístico em Trancoso, no litoral sul

BRUNO TAVARES, ADRIANA CARRANCA, MARILI RIBEIRO, VITOR HUGO BRANDALISE e TIAGO DÉCIMO, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

Um avião modelo King Air 350 caiu na noite de ontem em um complexo hoteleiro em Trancoso, no sul da Bahia, matando as 11 pessoas que estavam a bordo. As vítimas são o sócio-fundador da consultoria Arsenal Investimentos, Roger Wright, a mulher dele, Lucila Lins, os dois filhos do investidor (o economista Felipe e a arquiteta Verônica), casal de filhos de Verônica e seu marido, o arquiteto Rodrigo de Mello Faro, além do piloto, Jorge Lang Filho, de 56 anos. Três vítimas não tiveram as identidades reveladas.A aeronave, um turboélice prefixo PR-MOZ, decolou por volta das 18h31 do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, com destino ao Condomínio e Resort Terravista, onde o empresário tinha casa.O avião caiu e explodiu às 21h13 em uma área de mata fechada, a 500 a 600 metros da cabeceira da pista privada de pouso do Aeroporto Terravista, localizado dentro do condomínio e resort Terravista. De acordo com o site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) da aeronave venceu no último dia 14.O aeroporto atende exclusivamente proprietários e convidados, hóspedes dos hotéis e clientes do campo de golfe. A pista de 1.500 metros do aeroporto está habilitada para operar somente para pouso e decolagem de aeronaves executivas.O chefe do 2º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 2), coronel João Carlos Bieniek, disse que só hoje os peritos devem chegar ao local do acidente. "Ainda não temos nenhuma notícia do que pode ter provocado a queda do avião", afirmou o oficial. "Está chovendo muito na região, as próprias equipes de resgate estavam com dificuldades em chegar ao local." Apesar de chuviscar no momento do acidente, a administração do aeroporto confirma que havia total condição de visibilidade da pista. Homens do Corpo de Bombeiros de Porto Seguro foram deslocados para auxiliar nos trabalhos. Um grupo de busca e salvamento da Aeronáutica foi acionado pelo Cindacta-3 (centro de controle de voo), do Recife, para participar dos trabalhos.Felipe Barahona, diretor de marketing da Vivo, e sua mulher, Diana Barahona, filha de Lucila Lins, embarcaram ontem, às 21h30, em jato particular para Trancoso.A diretoria da Arsenal Investimentos se reuniu ontem à noite, na sede da empresa, no Itaim-Bibi. "Não podemos dar nenhuma informação enquanto não tivemos a confirmação de quem estava a bordo. Por enquanto, podemos confirmar apenas que o avião era dele", diz o sócio-diretor da empresa José Eduardo de Lacerda Soares.O empresário Antonio Quintella, presidente do Credit Suisse no Brasil, lamentou a morte do amigo Roger Wright. Os dois trabalharam juntos no Credit Suisse, onde Wright foi diretor de Investimentos. "Nos falamos há poucas semanas. Éramos muito próximos", diz Quintella. Ele informou que Wright ia com frequência a Trancoso, onde tinha casa no complexo Terravista. "Ele viajava sempre com o mesmo piloto, que era de sua confiança."Amigo da família, o publicitário Nizan Guanaes estava abalado na noite de ontem. "(Foi) um desastre sem proporções. A mãe morreu no desastre da TAM e a família inteira num desastre de avião. Estou em estado de choque."Até março deste ano, a Aeronáutica contabiliza 19 acidentes aéreos no País - 15 com aviões e 4 com helicópteros O número de mortos era de 28. Em 2008, foram 108, recorde de tragédias. Há seis meses, um avião King Air, da banda Calypso, caiu no Recife e duas pessoas morreram.

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