Acidente de moto lidera em lesão de medula

Dos pacientes atendidos pela AACD em 2008, 43,6% estavam em veículo de duas rodas

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

Motociclistas que ficaram paraplégicos, tetraplégicos ou mutilados em acidentes de trânsito lideram os atendimentos na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) em São Paulo. Pesquisa da entidade revela que, no ano passado, dos 55 pacientes que se acidentaram no trânsito, 43,6% estavam sobre duas rodas. Na capital paulista, as motos correspondem a 12% da frota de veículos. A reabilitação de cada uma dessas pessoas leva em torno de seis anos e custa para a AACD nada menos que R$ 60 mil, dos quais R$ 36 mil são reembolsados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o restante é bancado pela própria sociedade, por meio de doações. Esse custo inclui fisioterapia, hidroterapia, terapia ocupacional e eventuais cirurgias. "Esses motociclistas chegam aqui às vezes só movimentando a cabeça e precisam de tratamento intenso", explicou Eduardo Carneiro, presidente voluntário da AACD. "Embora tenham participação pequena na frota de veículos a exposição ao risco é infinitamente maior do que numa batida de carro. E as consequências são terríveis."Para reduzir os números de acidentes no trânsito, Carneiro sugere que candidatos a motorista sejam obrigados a visitar clínicas de reabilitação para "ter noção do que a irresponsabilidade pode causar". A AACD atendeu 195 pessoas vítimas de lesão medular em 2008. A maioria, 77,4%, teve alguma lesão causada por acidente de trânsito, tiro ou queda. Desde 2007 as vítimas de acidente de trânsito voltaram ao topo do ranking. As lesões por ferimentos com armas de fogo, antes a principal causa, caíram para a segunda posição. E são as motos as responsáveis por essas estatísticas. Em 2008, 55 pacientes se acidentaram no trânsito - 24 com motos - e 52 foram atingidos por tiros. As lesões medulares não traumáticas representam 22,6% dos casos e são causadas por tumores, infecções e acidentes vasculares. Entre 2007 e 2008, a Clínica de Lesão Medular da AACD registrou redução de atendimentos - de 270 para 195. Mas Carneiro diz que essa quantidade é flutuante e não há explicação para a queda. Segundo ele, a lei seca, que entrou em vigor há quase um ano, ainda não se reflete nos números de atendimento da AACD. "Agora é que as vítimas de acidente do ano passado estão chegando para tratamento", disse. Para conseguir tratamento na AACD, o paciente precisa ser encaminhado por um médico. Tudo é gratuito. Atualmente, 32 mil pessoas aguardam na fila. A espera pode chegar a sete anos. CAMPANHADas 1.463 pessoas que morreram no trânsito da capital, em 2008, 478 eram motociclistas. Nesta semana, o presidente do Sindicato dos Motoboys e Motofretistas de São Paulo, Gilberto Almeida dos Santos, está em Brasília buscando apoio de congressistas e do Ministério das Cidades para que o governo invista em campanhas educativas de televisão para redução de acidentes. "Tentamos de todas as formas mudar essas estatísticas", disse. O sindicato também quer faixas exclusivas de motos.

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