Acidente de moto mata mais jovens

Na faixa de 15 a 24 anos, número de vítimas supera as dos atropelamentos, causa principal no conjunto da população

O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2019 | 00h00

Jovens morrem mais por acidentes com motocicletas do que em atropelamentos, segundo o Ministério da Saúde. Para a população de outras idades, os atropelamentos ainda são a principal causa de mortes no trânsito. Dados do ministério revelam que, em 2005, houve 2.284 mortes de jovens entre 15 e 24 anos por acidentes com motos, ante 1.219 atropelamentos na mesma faixa etária. Ao enfocar somente os adolescentes (de 10 a 19 anos), o ministério apontou que, em 2004, os acidentes de trânsito já eram a segunda causa de morte entre todas as outras, perdendo apenas para os homicídios. A taxa de mortalidade entre adolescentes por acidentes de trânsito, em 2005, era de 15,8 por 100 mil habitantes (quase o dobro da taxa de 8,5 da população em geral). Mas 14 unidades da federação a ultrapassaram e os maiores índices foram registrados nos Estados do Paraná e de Santa Catarina - este último com um índice de 32,9. Segundo Fátima Marinho, coordenadora de Informações e Análise da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, as mortes por acidentes envolvendo motocicletas têm aumentado em todo o País, enquanto a tendência dos atropelamentos é de redução. PREVENÇÃO A única cidade que conseguiu diminuir as mortes de motociclistas foi Belo Horizonte (Minas), por causa de um programa que alia os órgãos de trânsito e de saúde. Segundo Fátima, houve um mapeamento das áreas onde mais ocorriam problemas para depois serem adotadas ações preventivas e da área de saúde, como a alocação de ambulâncias mais próximas dos locais de acidentes. Fátima prevê que as mortes causadas por acidentes de motos alcancem a liderança no ranking das mortes nos próximos anos. "A tendência é ainda de um crescimento sem limites", afirma. Segundo estimativas de especialistas, só a cidade de São Paulo tem 150 mil motoboys, mas apenas 3.496 estão cadastrados e regularizados, apesar de um decreto municipal de 2005 que fez uma série de exigências à categoria. O decreto diz que os profissionais precisam usar coletes, botas e capacetes e equipar as motos com baú, mata-cachorro (haste para proteger a perna) e antena de proteção contra linhas com cerol. Só motos de até 8 anos poderão ser usadas pelos profissionais. A falta de fiscalização é apontada como a principal causa do baixo número de cadastrados. VETO A ARTIGO O engenheiro Horácio Augusto Figueira, consultor em trânsito e transporte, critica o veto ao artigo 56 do Código Brasileiro de Trânsito (CBT), durante sua criação, em 1997. O artigo proibia claramente a passagem das motos entre veículos, mas foi rejeitado após discussões sobre sua interferência direta na velocidade das motos. De acordo com Figueira, vários artigos na legislação eram bem claros na proibição de atos típicos dos motociclistas, como o "ziguezague" entre as faixas. "O CTB não prevê interfaixas até porque as larguras das ?faixas de trânsito? devem guardar distância lateral entre veículos, por segurança, como definem as normas nacionais e internacionais de engenharia de tráfego", explica ele. "Por isso, o espaço onde elas circulam (entre os veículos) não está no Código de Trânsito Brasileiro." Segundo o diretor do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Alfredo Peres, pesquisas também mostram que quem mais consome bebida alcoólica no País são jovens entre 18 e 28 anos. Não por acaso essa é a faixa etária em que mais pessoas se envolvem em acidentes de trânsito. FABIANE LEITE, EDUARDO REINA, BRUNO TAVARES e RODRIGO BRANCATELLI

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