Acidente filipino de 1998 lembra o da TAM

Avião da Philippine Air Lines também voava com reversor pinado e saiu da pista ao não conseguir frear

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

24 Julho 2007 | 00h00

Um acidente com um Airbus 320, no dia 22 de março de 1998, no Aeroporto de Bacolod, Filipinas, possui muita similaridade com o ocorrido com o avião da TAM no dia 17, em Congonhas. O avião da Philippine Air Lines também voava com o reversor (esquerdo) inoperante, pinado. Houve aceleração após o toque na pista, provocada pelo sistema de acelerador automático (autothrottle), que foi deixado pelo piloto no modo avançado. Assim, o avião saiu fora da pista ao não conseguir frear. Saltou sobre um rio e caiu sobre casas. Nenhum dos 124 passageiros e 6 tripulantes morreu. Houve três vítimas fatais, moradoras nas casas que o avião derrubou. O acidente ocorreu às 19h41, e não chovia. A possível explicação para que o avião não explodisse é que estivesse com pouco combustível. Já o da TAM teria reserva nos tanques, pois faria outros vôos. Como o similar filipino, o Airbus da TAM também tocou no solo normalmente, mas seu reverso pinado era o direito. Ele também acelerou misteriosamente na pista, e antes de se chocar com um prédio, fez curva para a esquerda. A diferença entre ambos é o lado pinado de cada reverso e a direção da curva feita pelos aviões. Após o acidente filipino, as empresas aéreas receberam notificação da Airbus avisando sobre a operação de autothrottle com reversor pinado. As investigações, segundo a Flight Safety Foundation, mostraram que o pouso com o sistema de acelerador automático (autothrottle) ligado, que controla a potência do motor automaticamente, aumentou a velocidade da aeronave após o toque no chão. No momento do pouso e ativação do motor direito inoperante, o motor esquerdo entrou em modo de potência quase total, mas sem o reversor para direcionar o fluxo de ar para a frente. Deste modo, conflagrou-se uma potência assimétricas, que torna inúteis outros mecanismos de frenagem aerodinâmica - speedbreak ,flaps -, a uma velocidade alta. Para especialistas ouvidos pelo Estado, o autothrottle "ignora" a posição do manete de potência na cabine do avião no ar. Se o piloto esquece o manete na posição de potência, ao pousar, o sistema computadorizado o entende que é necessário acelerar. "No avião da Philippine, o piloto deixou o autothrottle ligado. Numa posição avançada (para a frente), um motor que estava a 0% (de potência), com o autothrottle ligado passa a 80% ou 90%", explicou experiente piloto. Em Congonhas, a posição do manete explicaria, em tese, porque o avião ganhou velocidade ao pousar. "Com a aceleração involuntária e o reverso pinado que faz com que, a grosso modo, uma turbina empurre o avião para a frente e a outra segure, o avião vira para o lado", disse um engenheiro de vôo. As semelhanças no acidente de São Paulo com o das Filipinas não impedem que outras possibilidades possam explicar a assimetria que provocou a deriva para a esquerda do avião. Depois que a posição errada do manete de potência provocar a aceleração inicial, o piloto pode ter percebido que seria impossível frear a tempo o Airbus. Isso pode ter sido a causa da decisão de arremeter a aeronave, quando o reverso pinado pode ter influído na curva feita pelo Airbus ao deixar a pista de Congonhas. "O reverso ou algum outro equipamento pode ter provocado a assimetria, caracterizada pelo maior arrasto do lado esquerdo e maior potência no lado direito", disse o especialista em segurança de vôo Roberto Peterka. Para o oficial da reserva Luiz Alberto Bohrer, especialista em segurança de vôo, os dois acidentes têm coincidência nas operações e situações, mas destacou que "há diversas outros hipóteses plausíveis". "Um acidente dessa proporção nunca tem um único fator, mas sim vários que se juntam", ressaltou. A exemplo de Congonhas, o aeroporto de Bacolod, nas Filipinas, também estava com sua capacidade de utilização no limite quando o Airbus da Philippines Air Lines passou reto pela pista. Estudo da Agência Japonesa de Cooperação Internacional (Jica, na sigla em inglês) determinou que o aeroporto não tinha acomodações suficientes para suportar o aumento do tráfego aéreo. Novo aeroporto passou a ser construído a 24 quilômetros do antigo. Deve estar pronto em 2010.

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