Acidente tornou BR-282 ainda mais perigosa

Proteção em curva foi retirada para resgatar vítimas e não há nenhuma sinalização no local nem Polícia Rodoviária

Ângela Bastos, Da Agência Rbs, O Estadao de S.Paulo

13 Outubro 2007 | 00h00

O perigo não foi embora. O km 630 da BR-282, em Descanso (SC), permanece uma ameaça, poucos dias depois da seqüência de acidentes que deixou 27 mortos. Ainda mais com a chuva dos últimos dias. Nos cerca de 150 quilômetros entre São José do Cedro e Chapecó, no oeste catarinense, os riscos são visíveis. A começar pela falta de orientação aos motoristas. Sequer um cone foi colocado. Nenhum veículo da Polícia Rodoviária Federal pode ser visto no trajeto. Ao contrário do dia seguinte ao acidente, desapareceram os soldados do Exército, os homens dos bombeiros e da Polícia Militar. Para socorrer as vítimas, a proteção de aço da estrada foi arrancada. Com isso, ficou ainda mais solto o asfalto junto à margem da rodovia. A curiosidade das pessoas aumenta a possibilidade de novos acidentes. Carros estacionam nos dois lados da pista. E os motoristas, especialmente os caminhoneiros, continuam a descer o trecho em alta velocidade. A placa que marca o km 630 voou ribanceira abaixo. Hoje é apenas um pedaço de madeira jogado entre farrapos, calçados, ferros retorcidos, pacotes de açúcar, grãos de soja. Nas margens, pares de luvas brancas dos socorristas estão à mostra. Assim como o colete usado por um dos bombeiros que trabalhou no resgate às vítimas. Um sapato aqui, uma sandália lá. Por enquanto, a impressão é que o km 630 foi entregue às abelhas. Os insetos acumulam-se em cima das sacas de açúcar espalhadas pelo chão. O zunido dos enxames impressiona. A carga era transportada na carroceria do caminhão suspeito de causar o acidente. O cenário jamais sairá da memória da bombeira comunitária Cláudia Regner, de 19 anos, uma das feridas na tragédia. Na quinta-feira, depois de ficar internada em Pinhalzinho e Maravilha,recebeu alta. E, aos poucos, ao lado de pais e irmãos, retoma atos simples, como assistir TV. O corpo ainda dói pelas fraturas na clavícula e na mão direita e pelas escoriações nas costas. Mas a perspectiva de passar o fim de semana com os parentes ameniza os traumas. Em menos de duas horas, Cláudia, recém-formada como técnico de enfermagem, transformou-se de socorrista a socorrida. Na terça-feira, estava no quartel de plantão quando soube do acidente na BR-282, em Descanso. Correu para lá, a tempo de ajudar duas pessoas feridas no choque entre o ônibus e o caminhão. Liberada, conversava com colegas quando o grupo foi atingido por outro caminhão, desgovernado.

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