ACM manobra para propor mínimo de R$ 250,00

Mesmo sem mandato, o ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) apresentou nesta terça-feira uma iniciativa que deve criar dificuldades políticas para o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso: ele articula com a bancada do partido no Estado e legendas coligadas que controla o lançamento, nos próximos dias, de uma proposta de reajuste do salário mínimo de 180 para 250 reais.ACM revelou a intenção para uma platéia de cem empresários baianos, num café da manhã promovido pela Associação Comercial da Bahia.O defensor da proposta será o senador Waldeck Ornélas (PFL-BA), que vai apresentá-la em forma de emenda ao projeto de Orçamento da União de 2002.Curiosamente, foi por causa da polêmica proposta de um salário mínimo de 180 reais, apresentada por ACM entre o fim de 1999 e o início de 2000, quando era presidente do Congresso, que ele se desentendeu com o governo federal, brigou com o atual presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e foi levado a renunciar ao mandato, após o peemedebista ter determinado a investigação a fundo do caso da violação do painel da Casa.Em defesa dos 250 reais, Ornélas afirmou que o governo federal não pode mais usar como argumento para negar o aumento a "quebra" da Previdência, pois, quando era ministro, desvinculou os reajustes do salário das contribuições previdenciárias.Outro aliado de ACM, o governador César Borges (PFL) também apóia a proposta e se diz disposto a repetir o decreto estadual de 2000 que fixou o mínimo de 180 reais para o funcionalismo baiano um ano antes do governo federal.No discurso para os empresários, ACM provocou a platéia: "Chegou a hora de os ricos pagarem a conta", disse, com um sorriso irônico. Depois, disse ser "um dever" da bancada baiana no Congresso defender essa proposta."Eu estarei incentivando todos daqui", reforçou, revelando que os liderados farão tudo para evitar que o governo federal dê apenas 3,5% de reajuste salarial para o funcionalismo público federal.A proposta não foi bem recebida pelos empresários, que, no entanto, procuraram ser políticos. "É uma tese válida, mas, talvez, não seja o momento oportuno para apresentá-la", comentou o presidente da Associação Comercial da Bahia, João Sá.Ele admite que o salário mínimo é baixo, mas argumenta que muitas empresas de pequeno porte não têm condições de pagar um valor de 250 reais. "Não vou dizer que provocaria uma quebradeira, mas causaria muitas dificuldades", disse, lembrando que a economia mundial passa por um momento difícil, e as empresas, para sobreviverem, buscam diminuir custos.

Agencia Estado,

10 de setembro de 2001 | 22h01

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