Ações contra o crime no ES começam amanhã, diz ministro

O ministro da Justiça, Paulo de Tarso Ramos Ribeiro, disse nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto, que começa amanhã o esforço do governo federal contra o crime organizado no Espírito Santo. Segundo ele, porém, a atuação dos 50 agentes da Polícia Federal enviados ao Estado será limitada aos crimes de competência da Justiça Federal. "Em princípio, só pode investigar crimes federais. Existem, no entanto, alguns outros dispositivos legais que estão sendo avaliados pelo Ministério Público, que podem sugerir ação conjunta do governo federal como estadual", disse o ministro. Ele afirmou que dentro de 30 dias o governo deverá produzir relatório sobre a ação conjunta da PF, Polícia Rodoviária Federal e Ministério Público Federal no Espírito Santo. O prazo para a divulgação do relatório foi pedido hoje a tarde ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao ministro da Justiça, pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rubens Approbato Machado. O ministro anunciou ainda a criação de uma nova delegacia da PF no município de São Mateus, no norte do Espírito Santo. A ação federal no Estado tem prazo previsto de 90 dias. "Não é o momento de intervenção. É o momento de ação", disse. Na reunião com o presidente Fernando Henrique, o presidente da OAB cobrou do governo resultados concretos da operação federal e reiteirou a necessidade de intervenção no Estado.EfeitosDurante encontro com o candidato ao governo do Espírito Santo pela Frente Competência para Mudar, senador Paulo Hartung (PSB), o ministro da Justiça afirmou que os resultados da missão da Polícia Federal encarregada de combater a corrupção e o crime organizado no Estado serão sentidos em breve. Ribeiro reafirmou ao parlamentar que a missão começará a atuar amanhã, auxiliada pela Polícia Rodoviária Federal. Hartung disse ter procurado o ministro para falar de sua preocupação com a decisão do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, de arquivar o pedido de intervenção no Estado. Segundo ele, a iniciativa, que acredita ter recebido o apoio do governo federal, "deixou Espírito Santo numa situação ainda pior". "O povo ficou desalentado com o recuo da intervenção", afirmou Hartung. O candidato acredita que o ministro poderá checar a informação pessoalmente, na visita que pretende fazer ao Estado logo que acabar de nomear os integrantes de sua equipe.A Secretaria dos Direitos Humanos, vinculada ao Ministério da Justiça, recebeu ontem os 13 primeiros nomes de pessoas ameaçadas pelo crime organizado do Espírito Santo, que entrarão no programa do governo federal de proteção às testemunha. A lista com os nomes, entregue pela Fórum Reage Espírito Santo, entidade de defesa dos direitos humanos, foi encaminhada ao secretário-executivo do ministério, Celso Campilongo. Será feita agora uma avaliação do tratamento que será dado a cada uma delas. O coordenador-geral do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, Romeu Olmar Klich, informou que 30 novos casos serão levados à secretária nos próximos dias.

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