Ações deixam mais de 17 mil sem aulas; governo do Rio pede apoio da população

Universidade encerrou período mais cedo, 47 escolas e 10 creches não funcionaram por causa de ataques

O Estado de S.Paulo,

24 Novembro 2010 | 19h45

RIO - As operações realizadas pela Polícia Militar em 27 favelas de todo o Rio de Janeiro para conter a onda de ataques realizadas desde domingo teve nesta quarta-feira, 24, seu pior dia. Com intensos tiroteios e novos veículos incendiados, mais de 17,7 mil alunos ficaram seu aulas.

 

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Quarenta e sete escolas e 10 creches, que atendem 17.772 alunos, não funcionaram. A Universidade Gama Filho, na Piedade, zona norte, encerrou as aulas mais cedo. Durante todo o dia, boatos de arrastões e mais ataques tiraram a tranquilidade do carioca.

 

Segundo informações do setor de inteligência da secretaria de Segurança, a ordem para espalhar o terror no Rio teria partido de Marcinho VP, preso em Catanduvas (PR). O responsável por colocar as ações em prática seria Fabiano Atanásio, o FB, da Vila Cruzeiro. O governo do Rio acredita que os ataques são uma reação às Unidades de Polícia Pacificadora que retomaram áreas dominadas pelos traficantes.

 

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), cujo principal trunfo na reeleição foi o sucesso na política de segurança pública, disse que não vai recuar e pediu que o carioca mantenha a sua rotina. "Com inteligência, trabalho firme, com coragem, com serenidade vamos superar este momento que o Rio de Janeiro enfrenta. São manifestações desesperadas de tentativa de enfraquecimento da nossa política de segurança."

 

O secretário José Marino Beltrame também foi enfático: não haverá qualquer mudança no plano estratégico da segurança. Para ele, o bilhete dos traficantes com referência a UPP e aos Jogos Olímpicos mostra o desespero dos bandidos. "Estamos no caminho certo. Vamos continuar a reprimir estes anos, mas é importante pensarmos na frente. Se não fizermos isso, o Rio perde uma oportunidade de ter uma resposta concreta a meio e longo prazo para resolver o problema da segurança."

 

Beltrame pediu ajuda da sociedade. "Eu sinto o apoio da cidade. As UPPs tiraram 200 mil pessoas da ameaça de um fuzil. Para alcançarmos o que pretendemos, fatalmente não teremos um caminho de rosas a trilhar pela frente. Sabemos aonde queremos chegar. A sociedade que decida de que lado ela está." Beltrame pediu também que a sociedade exija mudanças nas leis de execuções penais. "Certamente as informações dos presos são passadas na visita íntima e no encontro com os advogados. Isso só vai mudar se a sociedade organizada cobrar dos deputados, do sistema, que isso se mude com urgência".

 

(Com Márcia Vieira, Pedro Dantas, Gabriela Moreira, Marcelo Auler e Talita Figueiredo)

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