Ações para ajudar jovens não avançam

Unidades de programa para erradicar trabalho infantil estão fechadas

Fabiane Leite e Patrícia Santos, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

Duas horas antes de começarem as precárias atividades do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil no município de Muniz Ferreira, já há crianças na porta aguardando para entrar na sala. "Ele chega às 11 horas para a aula", aponta um dos meninos, entre risadas das outras crianças. "Eu gosto e por isso venho mais cedo", responde o alvo das brincadeirasDurante todo o ano de 2007, no entanto, o Peti da cidade, administrado pela prefeitura, não serviu almoço às crianças e funcionou com duas horas a menos de atividades, principalmente por causa da falta de recursos para materiais pedagógicos. Além do pagamento da bolsa, condicionado à freqüência da criança à escola, a seqüência de alimentação e atividade é essencial para que os objetivos do programa sejam cumpridos - ou seja, aproximar as crianças do estudo e lazer e afastá-las do trabalho. No caso de Muniz Ferreira, o desafio é sair do ofício da produção de fogos.Os monitores do Peti da cidade têm bancado o material para atividades do próprio bolso para manter algum tipo de programação. Na semana anterior ao Natal, os monitores prepararam um bolo enorme e compraram os refrigerantes da festinha das crianças. Uma monitora revela que elas já desistiram e voltaram a fabricar bombinhas - os próprios monitores também complementam a renda no trabalho com fogos.A sede da prefeitura já estava em recesso na quarta-feira anterior ao Natal, não havia ninguém para responder sobre a origem dos problemas. De Salvador, a coordenadora da Proteção Social Especial do Estado da Bahia, Irani Olessa, reconheceu que o Peti de Muniz Ferreira enfrenta problemas já há um ano, por irregularidades na prestação de contas, o que levou ao bloqueio de recursos.Recentemente, o Estado assumiu o programa, afirma, e buscava uma entidade da região para administrá-lo, quando recebeu nova promessa da prefeitura de reestruturação. Na semana anterior ao Natal, uma equipe do governo do Estado pretendia ir à cidade, mas as festas de fim de ano inviabilizaram o transporte, diz Irani.Em Santo Antônio de Jesus, a reportagem encontrou três unidades do Peti sem atividades. A secretária da Ação Social, Dalva Barreto, soube por uma assessora que a ordem é do governo do Estado, que orientou recesso de fim de ano. Procurada, Irani negou a informação.

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