Acordo atrai argentinos para o Brasil

Após tratado bilateral que garante direito ao trabalho, em agosto de 2006, mais de 3,7 mil fixaram residência no País

Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2008 | 00h00

Atraídos pela valorização do real, ou sonhando com encantos tropicais, cada vez mais argentinos vêem o Brasil como lugar para morar - com direitos de imigração ampliados por um acordo de residência assinado em agosto de 2006. Desde que ele entrou em vigor, o Brasil recebeu 3.766 imigrantes argentinos - mais que o dobro do registrado em 2001, quando vieram 1.738, segundo a Polícia Federal."Maradona com a camisa do Brasil é só gozação, brincadeira. Desde que cheguei, nunca fui maltratado", diz Cristhian Gregoraschuk, argentino de 27 anos, que vive em São Paulo há seis meses. "Já tinha decidido morar aqui, mas só quando me informei no consulado é que vi que seria fácil." Descolado, ele trabalha numa loja de roupas no MorumbiShopping, zona sul de São Paulo.O que facilita a vida do imigrante é a simplicidade dos trâmites para conquistar os mesmos direitos dos cidadão brasileiros - os argentinos podem, por exemplo, abrir empresas, ter contas bancárias e estudar normalmente. "O acordo dá total possibilidade de trabalho para o imigrante e oferece um bom nível de integração entre os dois países", diz a diretora do Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça, Marcilândia Araújo. A idéia do acordo surgiu em 2002, em uma reunião de cúpula do Mercosul. "A princípio, seria mais abrangente, com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, mas o governo paraguaio não aceitou." Além de ampliar direitos, a maior vantagem do acordo, segundo o cônsul da Argentina em Brasília, Mariano Jordan, é a facilidade para modificar a categoria do visto. "Anteriormente, quem viajava como turista, por exemplo, não poderia ficar morando ou estudando no país para onde foi. Teria de voltar e passar novamente pelo processo burocrático."

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