Acordo com o PR sai caro para governo

Para garantir apoio formal do PR e aumentar o tempo de propaganda eleitoral para a campanha da pré-candidata petista Dilma Rousseff, o governo federal fez concessões políticas importantes que provocaram mal-estar político em várias frentes aliadas.

Bastidores: Marcelo Moraes, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2010 | 00h00

Em troca da aliança, Dilma e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceitaram, por exemplo, participar da campanha do ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR), o principal adversário do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), criando constrangimento entre os peemedebistas locais.

Desde sua eleição, no fim de 2006, Cabral se tornou o aliado preferencial de Lula no Estado. Agora, já não esconde sua insatisfação com a abertura de espaço para Garotinho na campanha de Dilma, uma das exigências apresentadas pelo comando nacional do PR para apoiar a ex-ministra da Casa Civil.

O próprio Lula tentou amenizar o problema ontem, conversando com Cabral durante sua passagem pelo Rio e oferecendo apoio federal para amenizar os efeitos dos temporais no Rio. Mas a crise está longe de solução.

Carlismo. Na Bahia, são os partidos de esquerda, incluindo o PT, que se queixam do movimento feito pelo governador da Bahia, Jaques Wagner, com a chancela de Lula, para se aliar ao PR local, apoiando a reeleição do senador César Borges. Antigo representante do carlismo, Borges foi adversário direto da esquerda durante muitos anos e sofre grande rejeição desse grupo que não quer pedir votos a seu favor.

A aliança em torno da disputa pelo Senado poderia até ser assimilada pelos partidos de esquerda. O problema é que o PR quer que o acordo valha também para as eleições proporcionais. Ou seja, o partido estaria coligado com o PT e toda a esquerda nas eleições para deputados federais e estaduais. O movimento é visto como suicídio político pela esquerda, que avalia que a reunião de muitos partidos na mesma chapa reduziria o número dos seus parlamentares eleitos.

Como presidente do PR baiano, Borges defende a coligação completa como condição para fechar o acordo político com o PT.

No Amazonas, o novo presidente nacional do PR, o senador e ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento, terá apoio incondicional de Dilma, de quem se tornou amigo e aliado durante a convivência na equipe de governo.

O problema é que esse movimento deixa Lula e Dilma tendo de administrar a insatisfação do ex-governador Eduardo Braga (PMDB), que disputará o Senado, mas apoiará para sua sucessão Omar Aziz, do PMN, que assumiu o governo em seu lugar.

Mesmo que haja palanque duplo para Dilma no Amazonas, a proximidade com Alfredo Nascimento deixa clara a preferência da ex-ministra pelo presidente do PR, enfraquecendo a campanha do grupo liderado por Braga.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.