'Acredito na inocência dele', diz advogado de defesa

Adib Abdouni avisou que vai recorrer da sentença; para ele, Satiagraha teve repercussão porque foi 'investigação bem feita'

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2010 | 00h00

Protógenes Queiroz pode recorrer da sentença, em apelação ao Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3). Ele não respondeu a contato do Estado. Seu advogado, Adib Abdouni, foi categórico. "Acredito na inocência de Protógenes. Vamos recorrer para que ele seja absolvido. A Satiagraha foi um trabalho de repercussão nacional porque a investigação foi muito bem feita."

Desde que se tornou alvo da Polícia Federal, o delegado tem negado irregularidades. Ele afirma que sua conduta é ilibada. "Não me corrompi, agi sempre no estrito cumprimento do dever", repete a interlocutores.

O delegado considera "absolutamente legal" a utilização de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Operação Satiagraha. Ele destaca que é comum as instituições agirem em parceria. Cita Banco Central e Receita. "Não cometi nenhum ato ilícito", diz sempre que questionado sobre o caso.

O juiz Ali Mazloum destacou suposto interesse eleitoral do delegado na condução de operações espetaculares. "Ao tentar efetuar pessoalmente a prisão de Celso Pitta (ex-prefeito de São Paulo), o acusado torna claro o seu propósito de ganhar o noticiário e reforçar a sua imagem de "policial que prende ricos e poderosos"", sentenciou o juiz.

Ao ordenar a Protógenes prestação de serviços em um hospital - "cujo nosocômio será estabelecido pelo juízo das execuções penais" -, o magistrado assinalou: "É inegável que a proximidade dos acusados com o drama oriundo de queimaduras, onde o tratamento de vítimas leva em conta os problemas físicos e psíquicos gerados, será altamente construtivo." Para Mazloum, "logo após a deflagração da Operação Satiagraha, Protógenes lançou-se em verdadeira cruzada eleitoral, passando a frequentar palanques e foros virtuais na busca de projeção".

"São fatos públicos e notórios reveladores do elemento anímico que impulsionava as suas investigações e, especificamente, motivaram as violações de sigilo aqui tratadas", sustenta o magistrado. "Constam dos autos, ainda neste sentido, informações de procedimento administrativo instaurado pela corregedoria da Polícia Federal em função de atividade política partidária por ele realizada."

O juiz condenou Protógenes a 3 anos e 4 meses em regime aberto. Também condenou o escrivão Amadeu Ranieri. Mas decidiu substituir a sanção. "As restrições de direitos estão amplamente justificadas pelas circunstâncias, sendo as mais adequadas aos perfis dos acusados e à natureza dos delitos cometidos."

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