Daniel Teixeira/AE-3/9/2010
Daniel Teixeira/AE-3/9/2010

''Acredito no poder da razão e das ideias''

Economista e ex-governador José Serra passa a escrever quinzenalmente no ''Estado'' e quer abordar temas econômicos sociais e políticos

, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2011 | 00h00

O economista e ex-governador de São Paulo José Serra passa a escrever, a partir de hoje, artigos quinzenais para a seção Espaço Aberto na página A2 do Estado. No texto inaugural, Negócio da China, ele aborda as relações entre os governos do Brasil e da China por ocasião da visita da presidente Dilma Rousseff ao país asiático, potência econômica.

"Eu ainda acredito muito no poder da razão, das ideias, do conhecimento, na importância da persuasão", afirma Serra acerca da função de articulista. Para ele, significa a retomada de uma certa rotina. "Sempre tive por hábito escrever muito, a não ser nos períodos em que me ocupei do Poder Executivo." O plano de voo do ex-governador, ainda não completamente definido, mas com linhas gerais já bastante claras, é discutir o seu ambiente natural: "Quero falar de problemas econômicos, sociais e políticos. Mas de uma forma mais clara, exata e com uma profundidade maior", afirma Serra.

O hábito é antigo, mas há sempre novos desafios, como ele acaba de perceber na tarefa de preparar o primeiro texto. "Eu demorei duas horas para escrever o que pretendia. Olhe que escrevo rápido. Mas depois gastei mais três horas para reduzir ao tamanho necessário. E quando achei que estava bom, fui informado de que precisava tirar de novo um bom pedaço", diz Serra.

A escolha da China, como primeiro tema, traz ao ex-governador antigas lembranças que acabaram sugerindo o título de sua coluna de estreia. "Ainda hoje me lembro da expressão "negocio da China", meu pai vivia falando nisso nas conversas no Mercado Municipal. "Negócio da China" era uma expressão comum, sugeria uma grande jogada de alguém..."

Serra nasceu em 1942 no bairro paulistano da Mooca, zona leste da capital. Filho único do feirante Francesco Serra (morto em 1981) e de Serafina Chirico Serra (morta em 2007), foi presidente da União dos Estudantes (UNE) antes do golpe militar de 1964, que mais tarde o obrigaria a deixar o País para se exilar no Chile e, posteriormente, nos EUA.

De volta ao Brasil no final dos anos 70, iniciou uma carreira pública que inclui os cargos de secretário de Planejamento do Estado de São Paulo na gestão Franco Montoro (1983-1987), deputado constituinte, senador e ministro do Planejamento e da Saúde do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Em 1988, Serra foi um dos fundadores do PSDB, partido ao qual é filiado até hoje.

Em 2004 foi eleito prefeito de São Paulo e, dois anos depois, governador do Estado. Renunciou ao Executivo paulista em março de 2010 para concorrer pela segunda vez à Presidência, sendo derrotado por Dilma Rousseff no segundo turno. Serra recebeu 43,7 milhões de votos.

Professor. Segundo Serra, os assuntos para os textos surgirão conforme cada momento, mas o espírito já está definido: "Meus artigos serão engajados: ideias, conhecimento, esforço de persuasão. Mas não serão, tanto quanto possível, artigos partidários, eleitorais. Para isso, há outros canais." Sua maior preocupação será "a busca de bons diagnósticos para os desafios do País".

Como articulista, Serra voltará a cumprir um pouco o que considera uma espécie de destino: ser professor. "Já fui professor de economia, já dei aulas, em algumas etapas da minha vida, de história do pensamento econômico. Dei aula de macroeconomia, de economia da América Latina." À frente do governo de São Paulo, também tinha por hábito lecionar para alunos da rede estadual de ensino. A educação está entre os temas que pretende abordar.

Além dos assuntos relativos ao País e ao mundo, ele também procurará focar a cidade de São Paulo, onde vive com a família. Mas só quer abordá-la "na medida em que os temas sejam uma referência nacional", afirma.

Hábito antigo

EX-GOVERNADOR DE SÃO PAULO

"Eu ainda acredito muito no poder da razão, no poder das ideias"

"Sempre tive por hábito escrever muito, a não ser nos períodos em que me ocupei do Poder Executivo"

"Eu demorei duas horas para escrever o que pretendia. Olhe que escrevo rápido. Mas depois gastei mais três horas para reduzir ao tamanho necessário. E quando achei que estava bom, fui informado de que precisava tirar de novo um bom pedaço"

"Ainda me lembro da expressão "negócio da China", meu pai vivia falando nisso. Era uma expressão comum, sugeria uma grande jogada de alguém..."

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