Acumulam-se erros na investigação da morte dos Stahelis

Onze dias após o crime, a morte do casal Staheli permanece um mistério, mas os deslizes na investigação vão se acumulando. A coleta de pedaços de unhas e fios de cabelo das vítimas, por exemplo, foi feita apenas depois de os corpos terem sido embalsados. Além disso, o casal de americanos que socorreu os quatro filhos de Todd e Michelle foi intimado depois de deixar o país. Também pode ser acrescentado à lista o fato de só hoje a polícia ter começado a analisar roupas das crianças que foram usadas na madrugada em que os pais foram atacados.As peças foram entregues à polícia ontem, pelo advogado da família, João Mestieri. No entanto, ele não soube esclarecer sea roupa da filha mais velha do casal, de 13 anos, é a mesma que ela usava quando entrou no quarto dos pais, na manhã do dia30. Disse apenas que quem as recolheu da casa dos Staheli foi Carolyn Turner, amiga da família a quem a adolescente pediuajuda, por telefone, e que abrigou os quatro filhos de Todd e Michelle até a chegada de familiares dos Estados Unidos. Em depoimento à Justiça, a garota contou que havia dormido com um short e uma blusa e que trocou de roupa antes dachegada de Carolyn e de seu marido, Jeff. Os peritos procuram nas peças outros vestígios que possam ajudar a esclarecer ocrime, como cabelos, pelos e pele. Para o ex-diretor do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), Mauro Ricart, a retirada de qualquer objeto do local do crime é condenável, pois pode interferir na investigação. ?Não se pode mexer no local do crime. Ele tem que ser preservado, sempre. Qualquer objeto pode trazer um indício importante para a solução do caso?, destacou.A cena do assassinato também pode ter sido modificada durante a retirada de Michelle do quarto. A polícia está tentandodescobrir se determinadas manchas de sangue encontradas no local surgiram durante o socorro prestado pelo Corpo deBombeiros ou já estavam lá. ?O socorro tem que ser imediato, mas é preciso ter cuidado para não modificar a cena do crime. Porque não se usa, por exemplo, máquinas automáticas para fazer o registro de como o local estava originalmente??, sugeriu Ricart.Segundo ele, que também já foi coordenador da Polícia Técnica do Rio (órgão que reúne ICCE, Instituto Médico Legal e InstitutoFélix Pacheco), esse problema, embora grave, é recorrente. ?Local de crime, normalmente, é uma zona. Todo mundo mexe: aPolícia Civil, a Militar, jornalistas, curiosos. Com isso, detalhes importantes podem ser perdidos?, revelou, ressaltando que ninguém deve mexer em nada, só os peritos, que são tecnicamente aptos para o trabalho. Ricart estranhou a retirada de unhas e cabelos dos corpos das vítimas apenas após terem sido embalsados. ?Essa medidadeveria ter sido tomada logo após a necrópsia. Se não é algo comum e, por isso, não foi feito no corpo do homem (Todd),deveriam ter feito imediatamente no corpo da mulher, pois já se sabia que estavam lidando com vítimas de um crime rumoroso,cercado de mistérios?.Perguntado sobre o assunto, o subsecretário de Segurança Pública, Marcelo Itagiba, evitou fazer comentários. ?Quem tem que falar sobre isso é quem está à frente da investigação. Não me cabe fazer comentários?. Procurado pelo Estado, ocoordenador-geral da Polícia Técnica, Roger Ancillotti, não foi localizado. Segundo um funcionário do IML, teria viajado paraBrasília. O delegado da 16ª DP (Barra), Marcos Henrique Alves, e o titular da Delegacia de Homicídios, Carlos Henrique Machado,não haviam retornado as ligações até o retorno desta edição. Para ler mais sobre o crime na Barra da Tijuca: » Garotinho no centro da polêmica sobre os filhos de Staheli » Advogado dos Stahelis sugere que criminoso é estrangeiro » Caso Staheli: especialistas estranham demora da polícia » Polícia do Rio vai refazer perícia na casa dos Staheli » Parentes querem adiar reconstituição do crime dos Staheli » FBI manda investigadores para acompanhar casa Stahelli » Corpo de Michelle Staheli já foi encaminhado para necropsia » Polícia ainda não solicitou sangue de mulher de executivo » Morre Michelle Staheli, a mulher do executivo » Filhos do casal terão que prestar depoimento » Depoimento da filha mais velha tem contradições, diz secretário » Morte cerebral de Michelle Staheli é ?questão de tempo? » Situação de Michelle Staheli é ?extrema?, diz boletim » Polícia quer impedir que filha de executivo deixe o País » Mercado não acredita em ameaças ao executivo americano » Estado da mulher do executivo choca os parentes » Parentes do casal americano chegam ao Rio » Empresário americano podia estar sendo ameaçado

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