Acúmulo de água causa deslizamento de terra

Além da recusa dos pilotos em pousar na pista molhada de Congonhas, a chuva que caiu durante quase todo o dia causou outro transtorno: por volta das 18 horas, o acúmulo de água num barranco perto da cabeceira da pista principal causou um grande deslizamento de terra. Segundo a Defesa Civil do Município, cerca de 30 mil litros de lama caíram na via paralela à Washington Luís, que dá acesso à Avenida dos Bandeirantes para quem sai do aeroporto. Até o início da noite de ontem, uma equipe da Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros monitoravam o local, pois havia a hipótese de um risco de desmoronamento do muro de contenção. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) teve de interditar a rua, mas não houve muito reflexo no trânsito por conta do pequeno fluxo de carros na via. O superintendente da Regional Sudeste da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Edgard Brandão Júnior, disse que o deslizamento ocorreu porque, no dia do acidente com o vôo 3054 da TAM, o trem de pouso do Airbus quebrou uma mureta ao lado do barranco que levava a água da chuva para uma canaleta. Com o deslocamento de terra provocado pela passagem do avião, a canaleta ficou entupida, e a água da chuva começou a escorrer pelo barranco. O capitão Mauro Lopes, porta-voz do Corpo de Bombeiros, disse que, por conta do sistema de escoamento danificado, houve uma infiltração muito grande no solo do barranco. "Isso fez com que o solo fosse cedendo, o que causou o deslizamento", afirmou. Ironicamente, a lama que descia em direção à rua sujava as pichações de protesto exigindo o fim das operações no aeroporto. "O Brasil está de luto. Fechem Congonhas." Brandão Júnior reconheceu que desde terça-feira a Infraero sabia que o Airbus havia provocado danos no sistema de escoamento, mas disse que não era possível resolver o problema. "O local estava interditado para o trabalho da perícia. Não tínhamos acesso", disse o superintendente. CONSERTO Após receber autorização da Polícia Federal, técnicos da Infraero e da Defesa Civil começaram a fazer os reparos, com a ajuda de uma ?gaiola? para serem içados ao barranco. Com cascalho e areia, os agentes fizeram uma espécie de dique para conter a água da chuva, que já estava bem mais fraca por volta das 22 horas. Três grandes lonas pretas foram colocadas no local do deslizamento, para evitar novas infiltrações, até que engenheiros da Infraero cheguem a uma conclusão sobre o que pode ser feito para solucionar definitivamente o problema. O superintendente da Infraero disse que só hoje será possível avaliar se a estrutura do muro de contenção foi abalada pelo excesso de água.

Arthur Guimarães e Valéria França, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2024 | 00h00

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