Acusação argumenta em júri de PM acusado de chacina

O terceiro dia do julgamento do soldado da Polícia Militar Carlos Jorge Carvalho, acusado de participar da mais grave chacina do Rio da Janeiro, começou no Tribunal do Júri de Nova Iguaçu com a exposição dos argumentos da acusação. O promotor Marcelo Muniz mostrou laudos periciais, testemunhos e fotografias que pretendem comprovar que Carvalho é um dos assassinos que mataram 29 pessoas na chacina, em março de 2005. Alguns parentes das vítimas que estavam no plenário choraram e se sentiram mal. Muitos tiveram de deixar a sala. A dona de casa Maria Helena Soares Carlos, que perdeu o filho Felipe, de apenas 13 anos, teve de ser carregada e foi hospitalizada. Ana Paula da Silva, que teve um irmão e um primo assassinados, contou que não tinha condições de permanecer na sala. "Não dá para agüentar. E ainda temos que ouvir da defesa que todas as provas foram forjadas. Eu queria que a morte do meu irmão e do meu primo também tivessem sido forjadas", afirmou. Após uma pausa para almoço, o julgamento deverá ser retomado com a exposição da defesa, que deve durar duas horas. A sentença deverá sair ainda nesta noite. TestemunhasO segundo dia de julgamento foi marcado pelo depoimento das testemunhas, quatro de defesa e três de acusação. A principal voz em defesa do soldado foi Marcos Antônio Carneiro, comerciante, seu amigo desde a infância. Carneiro endossou toda a versão apresentada por Carvalho - de que ele pegou seu carro (o Gol prata usado na chacina, segundo o Ministério Público) para ir a Barra de São João e de que devolveu no dia seguinte, como combinado.Outra testemunha de defesa a depor foi o deputado Paulo Ramos (PDT), que fez duras críticas à atuação da perícia. Afirmou que a chacina teve motivações políticas. Na acusação, uma das testemunhas a depor foi C.H.S., único sobrevivente da chacina, também depôs e reconheceu o PM. "Foi Carlos Carvalho", disse, apontando Carvalho como o homem que atirou em sua perna. C.H.S, de 45 anos, ficou traumatizado depois do crime e perdeu a memória, mas recuperado, decidiu falar pela primeira vez no processo.O soldado, que se declarou inocente no primeiro dia de julgamento na última segunda-feira, é acusado de 29 homicídios duplamente qualificados - cometido por motivo fútil (demonstração de força na Baixada Fluminense) e com recursos que impossibilitaram a defesa das vítimas -, uma tentativa de homicídio e formação de quadrilha. A chacina ocorreu na noite de 31 de março de 2005, nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados. Vinte e nove pessoas foram assassinadas e uma ficou ferida.

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